Alcântara: A Maior de Todas as Sabotagens Bautista Vidal #NossaGente


A mídia venal, sempre ela,  a-VASSALA-dora contra o Brasil, protegendo os sabotadores! 

Wikileaks: EUA impediu o programa brasileiro de foguetes

Monopólio das Patentes por Bautista Vidal

O Programa Espacial Brasileiro e a traição neoliberal por Roberto Amaral

VLS-1. Projeto estrangulado pelo próprio governo >> FHC/PSDB/DEM (“servindo a quê e a quem, não sei”). Sobreviveu por abnegada teimosia de cientistas brasileiros

J. W. Bautista Vidal*
Viveu o Brasil no dia 22 de agosto (2003) — sempre em agosto — uma de suas grandes tragédias com a misteriosa explosão — cheirando a sabotagem — do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), na base de Alcântara, MA, a melhor localizada em todo o mundo, chegando a economizar 30% da energia necessária aos lançamentos.O Senado da República, por proposta do senador Helio Costa, deve avaliar o que estavam fazendo na baia de São Marcos, no dia da tragédia, inúmeros barcos estrangeiros. A imprensa, porém, insiste em enfatizar campanha que tende a transformar as vítimas em culpados e, assim, desvia da análise as verdadeiras razões da tragédia. O Centro de Lançamento de Alcântara recebeu em 1995 recursos de cerca de R$ 10 milhões, e apenas R$ 1 milhão em 2002, quando os gastos da infra-estrutura já instalada são de aproximadamente R$ 9 milhões.

Na realidade, as atividades desenvolvidas em Alcântara começaram há mais de meio século em São José dos Campos, no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), um dos nossos melhores centros tecnológicos industriais. Essas atividades deram ao Brasil importantes resultados entre os quais: a) criação de uma das principais indústrias de aviões do mundo, a Embraer; b) o outrora mais importante programa aeroespacial do Terceiro Mundo, cujo último grande resultado seria o VLS-1, que explodiu quando era preparado para seu lançamento dois dias depois. A Índia já investe no programa espacial este ano três vezes mais do que o Brasil; c) a decisiva contribuição na área de motores, que permitiu o surgimento do Pró-álcool, ademais de milhares de contribuições de inovação tecnológicas transferidas para indústrias nacionais nos setores de materiais, metalurgia, eletrônica, química e tantas outras áreas estratégicas em projetos industriais e de engenharia nos setores bélico, aeronáutico, de energia, fissão nuclear, petróleo, naval, telecomunicações, armamentos, entre outros.

São milhares as contribuições em componentes industriais, materiais de densidade tecnológica e inúmeras indústrias de alta sofisticação, possíveis somente em país com avançado parque industrial puxado por empreendimentos industriais detentores de adequado acervo tecnológico desenvolvido em centros de pesquisas de padrão internacional — como é o caso do Centro Técnico Aeroespacial do Ministério da Aeronáutica.

Pensar em comissão ‘independente’ é o mesmo que desejar a fraude da independência do Banco Central ao desvinculá-lo do Estado brasileiro

Se afastadas as hipóteses de atentado ou sabotagem industrial, em processo de averiguação, a possível falha que resultou na tragédia poderia ser debitada a um desses milhares de estratégicos elementos que provêm de inúmeros fornecedores de máquinas, equipamentos, materiais e componentes normalmente submetidos a rigoroso controle de qualidade na indústria de origem e no seu destino.

Sob este ponto de vista, os melhores julgadores das causas da tragédia seriam os mortos, em sua quase totalidade constituída por engenheiros e cientistas com mais de vinte anos de experiência nessas complexas atividades, ou seus companheiros de trabalho e superiores que não se encontravam no local no momento da explosão.

Nas circunstâncias, o imenso poder de destruição — 40 toneladas de combustível sólido —, submeteu as estruturas e os corpos das vítimas a elevadíssimas temperaturas, ficando muito difícil, mesmo para um experimentado especialista, identificar a causa primeira da tragédia nos escombros resultantes da violenta explosão. Assim, pensar em comissão “independente” é o mesmo que desejar a fraude da independência do Banco Central ao desvinculá-lo do Estado brasileiro. Essa suposta independência tende a desviar a identificação das verdadeiras causas de tão complexa situação, mas fortalece a perversa tese de que os mortos são os culpados, repetindo a tática usada no caso do afundamento da plataforma marítima da Petrobrás e outros casos, em que culpados transformam-se em julgadores.

Estamos vivendo hoje a desoladora situação de nação que caminha para a ruína e que vê seus principais ativos, construídos nos últimos setenta anos, serem destruídos ou transferidos para o controle internacional conjuntamente com os patrimônios naturais estratégicos.

Hoje, há uma estrutura produtiva esmagada do lado do capital nacional, o único que tem motivação pelo desenvolvimento tecnológico

O Brasil chegou neste ano de 2003 à mais baixa taxa de investimentos de todos os tempos, quando dispõe de recursos naturais excepcionais e competência tecnológica para voltar a crescer na média de 8,8% ao ano, como ocorreu no período 1970/80. Ou, na pior das hipóteses, pode repetir a média histórica de todo o século passado quando cresceu 4,5% ao ano procurando a industrialização. Chegou assim a ser a 8a economia.

De 1981 para cá, porém, devido à absurda política de dependência externa, encruou em 2,2% na chamada década perdida e no triênio 2001/3 deve ficar em torno de 1% ao ano. Já caminhamos em plena recessão. Ou seja, despencou em apenas duas décadas da segunda para a 93a posição do ranking mundial. Um retrocesso monumental, fruto principalmente do criminoso governo de Cardoso, servil à perversa política do Fundo Monetário Internacional (FMI), que considera investimentos do Estado — como o essencial aumento de geração elétrica pelas empresas de economia mista, a prospecção e exploração de poços de petróleo pela Petrobrás e a manutenção do programa espacial do Ministério da Aeronáutica — como déficit em vez de investimentos cruciais. Esta lamentável e criminosa política, apesar da sua rejeição pela população na última eleição presidencial, está tendo continuidade no governo Luis Inácio.

A inapetência de ruptura com a estúpida anorexia monetária que se reflete em tirania de dinheiro falso de origem externa, leva o Brasil para uma situação em que são sintomáticas as tragédias como as de Alcântara e da plataforma marítima da Petrobrás. Mais que tragédias localizadas, elas balizam a tragédia histórica de um povo potencialmente rico, cujos dirigentes adotam postura servil ante as metrópoles coloniais, levando a nação a perder a postura de conjunto e perdendo a essencial unidade necessária à defesa ante a devastação causada pelo usurpador externo.

Vivemos, assim, um processo de decadência e de brutal destruição da estrutura industrial de capital nacional, cujas consequências lógicas são as tragédias como essas.

Hoje, há uma estrutura produtiva esmagada do lado do capital nacional — o único que tem motivação pelo desenvolvimento tecnológico — e internacionalizada nos ativos e patrimônios estratégicos pela ação de governos que se submeteram ao controle externo, com grave perda de autonomia e poder de competição. Por isso, os bens e serviços perdem as qualidades essenciais para alimentar programas de elevadíssimo nível tecnológico, como ocorre no setor aeroespacial. Ele é fruto de dirigentes desfibrados e despreparados, que preferem o que o professor Cerqueira Leite chama de servilismo voluntário às forças externas que comandam de modo absoluto a tirania vídeo-financeira que domina o país.

Esse evidente processo de decadência e afundamento foi fruto de políticas antinacionais, ditas neoliberais, como a que resultou do Consenso de Washington, desde 1979 e, muito especialmente, nos oito anos de governo de Cardoso. Nesse período, de modo crescente, foi-se reduzindo a soberania nacional por meio do esvaziamento do lado nacional, pelo fechamento e internacionalização de indústrias, quando o país alcançava altos níveis tecnológicos em vários setores industriais, como o aeroespacial, de grande destaque mundial, graças à autonomia tecnológica que o Brasil foi conquistando, apesar das nefastas influências do modelo dependente que domina o país há 50 anos.

Inúmeras tecnologias foram desenvolvidas e transferidas para a indústria, o que significou uma economia de divisas superior a US$ 1 milhão por mês

De fato, na área aeroespacial o Brasil ocupava o primeiro lugar entre os países do chamado Terceiro Mundo, incluindo-se em um pequeno clube de países que desenvolviam atividades nesse setor. No modelo do Brasil-colônia implantado desde 1979, isso não podia continuar. Por isso, foi praticamente destruída toda a estrutura tecnológica anterior no país, simultaneamente ao esmagamento das empresas de capital nacional, públicas e privadas.

A trajetória do CTA na área aeroespacial é longa e vitoriosa, além dos grandes avanços na área industrial de aviões, como o Bandeirante — com mais de 500 unidades vendidas em todo o mundo, especialmente nos EUA —, o turbo hélice Brasília, de 30 lugares, e as novas versões atuais do jato ERJ-145, de 50 lugares, os ERJ-170 e 190, com 70 e 90 lugares, respectivamente. Na área de aviões militares, tivemos o desenvolvimento e a fabricação conjunta com a indústria aeronáutica italiana do sofisticado AM-X.

Em 1965 iniciou-se no CTA o desenvolvimento do primeiro foguete de sondagem meteorológica, o Sonda I. Inúmeras tecnologias foram desenvolvidas e transferidas para a indústria, o que significou uma economia de divisas superior a US$ 1 milhão por mês. Mais de 225 foguetes Sonda I foram lançados a partir da base de Barreira do Inferno, em Natal. Logo vieram o Sonda II, em 1966, e o Sonda III, com dois estágios, em 1969, utilizados em pesquisas atmosféricas e ionosféricas. Ambos necessitaram de desenvolvimentos tecnológicos de laminados de aço de alta resistência que passaram a ser produzidos na Acesita. Foram eliminadas as dependências externas na produção de envelopes de motores e minoradas as dificuldades de atendimento de materiais metálicos de alta resistência, em especial nos setores de caldeiraria e ferramental. Foram lançados 61 Sonda II e 29 Sonda III das bases de Barreira do Inferno e Alcântara.

Um passo avançado foi dado em 1974 com a pesquisa e o desenvolvimento do foguete Sonda IV, oito toneladas, que exigiu a utilização de ligas metálicas de ultra-alta-resistência. O CTA desenvolveu, junto à indústria nacional moderna, a liga de aço conhecida como 300M, de altíssima resistência, por meio da técnica especial de fusão (eletroslag). Houve transferência de sofisticadas tecnologias para a Eletrometal, Usiminas e Acesita, todas de capital nacional. Todas elas foram “internacionalizadas” na “bacia das almas”, bem como a Embraer.

Empresas nacionais privadas foram capacitadas na produção de matérias primas para peças de alto grau de confiabilidade e durabilidade. Assim, foi instalado pelo CTA na Eletrometal, o maior forno do Hemisfério Sul para tratamento térmico de metais. Este trabalho foi motivo de bloqueio pelo governo norte-americano na década de 90, gerando sério incidente diplomático.

As atividades espaciais e aeronáuticas vinham permitindo significativos avanços tecnológicos na indústria brasileira em várias áreas do conhecimento, como materiais, eletrônica, química, beneficiando-se a economia nacional do gigantesco esforço de nacionalização que permitiu ao Brasil penetrar no reduzido número de países que atuam na indústria aeroespacial, hoje um mercado de cerca de US$ 200 bilhões.

Assim, a fabricação de foguetes e o Veículo Lançador de Satélites também envolve a fabricação de propelentes, isolantes térmicos elásticos resistentes a altas temperaturas, desenvolvimento de estruturas ultra leves e resistentes, técnicas de controle por infravermelho e laser, sofisticados instrumentos de controle, dispositivos de recuperação de cargas úteis suborbitais, estruturas compostas de fios não metálicos, turbinados resistentes a altas pressões, ligas especiais de titânio, materiais cerâmicos e carbonosos. Além disso, o desenvolvimento de fios de alta tenacidade, produção de cordas e fitas de alta resistência e centenas de outros itens de avançada tecnologia.

Dirigentes tiveram que dispensar seus trabalhadores três vezes por semana, reduzindo o trabalho a meio expediente por falta de dinheiro para fornecer o almoço

Os materiais compostos, visando a obtenção de estruturas de foguetes de fibra e resinas especiais, contribuíram de modo decisivo para o desenvolvimento de partes dos aviões da Embraer. Esta foi por algum tempo a única fornecedora para a Boeing-Douglas dos “flaps” feito com material composto das enormes asas do avião MD-11.

Os benefícios para a indústria nacional foram imensos e os retornos financeiros foram dezenas de vezes maiores do que já despendido nos projetos espaciais. Isso permitiu ao Brasil promover a fabricação e exportação de aeronaves de alta tecnologia gerando bilhões de dólares no mercado externo e mais de dez mil postos de trabalho de elevadíssima sofisticação tecnológica. Permitiu também o desenvolvimento e a fabricação de aeronaves, armamentos e equipamentos de elevado conteúdo tecnológico para o re-equipamento das Forças Armadas, hoje em processo acelerado de sucateamento.

Grande parte das centenas de indústrias que surgiram, detentoras de avançadas tecnologias desenvolvidas no país em torno do programa aeroespacial e de aviões, foi fechada e as mais estratégicas foram “internacionalizadas”. O desemprego foi imenso e as equipes técnicas não se renovaram. Nos últimos 15 anos, apenas um engenheiro de aeronaves conseguiu emprego, o que demonstra a decadência provocada pelas políticas financeiras impostas ao país pelo FMI — e suportada de modo vergonhoso por dirigentes políticos que ocuparam nos últimos 20 anos os postos de comando político interno.

Com os gigantescos juros impostos pelas dívidas brasileiras e mais um superávit fiscal que já alcança 5,5% do PIB, não sobra dinheiro para nada. O país vive em plena recessão e caminha para a ruína, porque teve grande parte de sua estrutura produtiva destruída por políticas monetaristas criminosas.

Todos os programas, por mais importantes que sejam, sofrem reduções drásticas nas suas previsões orçamentárias. No ano de 2002, o programa do VLS-1 recebeu apenas 10% do previsto no orçamento. Dirigentes tiveram que dispensar seus trabalhadores três vezes por semana, reduzindo o trabalho a meio expediente por falta de dinheiro para fornecer o almoço. Simplesmente irresponsável o que as delinquentes autoridades financeiras estão fazendo com o país. Isto compromete de modo irremediável os demais dirigentes que toleram tanto arbítrio sem nada fazerem, acovardados ante a prepotência financeira.

Não é o projeto do VLS-1 que está sendo sabotado, é a sobrevivência do Brasil que está comprometida com a nefanda política da tirania financeira do dinheiro externo falso transformada em verdade absoluta. Estamos vivendo a grande sabotagem que leva à destruição do todo país.


*J. W. Bautista Vidal é físico, engenheiro, pesquisador, autor (premiado) de diversos livros em que defende o uso da biomassa. Foi o principal responsável do Pró-Álcool, é consultor de várias instituições civis internacionais que se dedicam aos estudos estratégicos dos avanços técnico-científicos em benefício dos povos. O cientista é também presidente do Instituto do Sol (ver AND 1, 4, 8, 9, 12).

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