ABI repudia ilegalidades da Justiça

ABI repudia ilegalidades da Justiça

Complexo Penitenciário da Papuda - DF (Imagem: Reprodução)Complexo Penitenciário da Papuda – DF (Imagem: Reprodução)

“A diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da entidade manifestam repúdio à atitude do Supremo Tribunal Federal(STF),  instância máxima da Justiça brasileira, pela ilegalidade cometida por ocasião da prisão de condenados da Ação Penal 470. Eles deveriam cumprir a pena, logo que se apresentaram à Polícia Federal, em regime prisional semiaberto, mas foram mantidos em regime fechado por pelo menos dois dias.

O plenário do STF, ao decidir pelos Embargos Infringentes quanto ao crime de formação de quadrilha, cujo julgamento se dará apenas em 2014, a prisão em regime fechado, mesmo por um curto lapso temporal, daqueles que aguardam um novo julgamento, como ocorreu, representa uma ilegalidade inaceitável, mormente praticada pela mais alta Corte do País.

ansferência de presos, todos primários com residência fixa, que se apresentaram espontaneamente, para o presídio da Papuda, em Brasília, e ali foram encarcerados em regime fechado, denota uma ação de caráter subjetivo que tangencia as garantias constitucionais e põe em risco o Estado Democrático de Direito.

O entendimento dominante dos Tribunais brasileiros é que tratando-se de réus primários, mesmo persistindo algumas circunstâncias judiciais desfavoráveis, revela-se razoável estabelecer o regime semiaberto para o início do cumprimento da pena.

A ilegalidade, prejudicial ao processo democrático, não se limitou aos tópicos mencionados. Outra ilegalidade cometida pela Justiça foi colocar os réus condenados em regime semiaberto na penitenciária da Papuda, em Brasília, quando a Lei de Execuções Penais dispõe que o condenado, tão logo passe a cumprir a pena imposta, deve ser colocado em sistema prisional na área de sua residência permanente. E com o direito de voltar à prisão, em horário determinado pelo Juiz que ordena a execução da pena.

A transferência imediata dos réus para Brasília, sem qualquer justificativa fundamentada, assustou membros da própria Corte como o Ministro Marco Aurélio Mello que criticou a decisão do Ministro Joaquim Barbosa, que descumpriu norma contida no artigo 103 da Lei 7.210 de 11 de julho de 1984, lei de Execução Penal, que prevê a permanência do preso em local próximo ao seu meio social e familiar.

A ABI considera extremamente grave a postura da instância máxima da Justiça brasileira, que deveria servir de exemplo para demais fóruns judiciais. Tais fatos, vale sempre repetir, depõem contra o processo democrático.

Silenciar diante de tamanhas irregularidades é de alguma forma compactuar com a subversão jurídica.

Fichel Davit Chagel – Preidente da ABI(interino)

Mário Augusto Jakobskind – presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI.”

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Gênese da ditadura – Golpe dos empresários

“Descobri que a minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair”

CNV_Starling_Genese_ditadura

Grata pelas informações >>  @baraodiario e @Jprcampos

CNV -Heloisa Starling  inicia sua palestra fazendo referência ao livro de René Dreyffuss 

1964 – A Conquista do Estado (1981 Ed. Vozes)

Comenta:

“Em 19/03/1964 acontece a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade que teria entre 500 e 800 mil pessoas (há discordância entre os historiadores) e ocorre >> em São Paulo como uma resposta ao Comício da Central do Brasil no >> Rio de Janeiro.

Entre 19/03 e 08/06 ocorreram 50 marchas, sendo que aconteciam simultaneamente em cidades tão diferentes como Londrina, Campos, Barbacena, Niterói, São Carlos, em outro momento em Dois Córregos, Periqui, (outra que não consegui entender), e também nas capitais: Goiânia, Belo Horizonte, Maceió, Rio de Janeiro, Recife, Brasília e Teresina.”

Em maio de 1959 foi criado o IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática  – organização anticomunista por Ivan Hasslocher  ( e aqui comenta sobre PC Farias), que também criou a agência de propaganda Incrementadora de Vendas Promotion  e o ADEP para compartilhar do governo político e moldar a opinião pública. Comprou vários deputados:

“…selecionou e apoiou cerca de 250 candidatos a deputado federal, 600 deputados estaduais, 8 candidatos a governadores e inúmeros candidatos ao senado. Um candidato federal recebia CR$ 1 milhão e 600 mil, um deputado estadual CR$ 800 mil. O grupo ADEP/IBADE/Promotion gastou 1 bilhão e 40 milhões de cruzeiros, nos 150 dias que antecederam as eleições de 1962. Consta no livro de Eloy Dutra que o dinheiro vinha do The Royal Bank of Canadá, e a Promotion tinha conta no Bank of Boston e no The National City Bank of New York.”

Livro: ”IBAD – A Sigla da Corrupção de Eloy Dutra (PTB)

Em 29/11/1961 fundam o IPES – Instituto de Pesquisas e Estudos Sociaisbraço da CIA – dirigido por Golbery do Couto e Silva. Foi extinto por ordem judicial em 1963. Fundadores do IPES: Augusto Trajano de Azevedo Antunes (ligado à COEMI), Antonio Gallotti (ligado à Light).

IPES teve de capital inicial U$500 mil (EUA) financiava para instalar o capitalismo através de uma ditadura militar. Também recebia doações de entidades filantrópicas de senhoras cristãs de orientação conservadora que colaboravam com dinheiro em espécie, jóias e trabalho voluntário.

Alguns dos empresários que faziam parte de ambas:

Glycon de Paiva, Paulo Ayres Filho, Gilbert Huber Jr.

IPES/IBAD estimularam a formação de organizações de grupos paramilitares de direita.

1962 – ADELA Atlantic Community Development Group for  Latin America – grupo bilionário encabeçado por Rockefeller e Fiat. Reunia cerca de 240 companhias industriais e bancárias.

Rockefeller veio ao Brasil, pela primeira vez em 1948 …conheceu Walter Moreira Salles. (Deve ter sido por acaso!!) Hoje a filha de Rockefeller, Peggy que fala português fluente e participa de uma ONG numa favela do Rio de Janeiro.

Vejam o cinismo, desta criatura na entrevista concedida à VEJA em 25/11/2006. A propósito ele tem uma fazenda de agricultura orgânica, porém … Monsato para todos!

  Gênese da Ditadura – 1964 entidades de classe e líderes empresariais, caracterizando que o golpe não foi apenas militar mas Civil-empresarial.

A política econômica do governo do General Castelo Branco pautou-se por um programa favorável aos interesses empresariais, desde que associados os investidores internacionais.

  • Arrocho econômico para conter a procura
  • Lei de greve – para sinalizar um panorama favorável aos investidores
  • Incentivo às exportações por meio da desvalorização do cruzeiro em relação ao dólar
  • Estímulo ao capital de risco para atrair os investidores internacionais

Ministro Roberto Campos: “somente um presidente eleito por via indireta teria condição de levar a cabo um programa econômico e financeiro” – que ele e seus comparsas pretendiam para o país.

O projeto de reorganização do estado, que foi imposta pelo golpe-civil-militar de 64, construiu a estrutura de sustentação deste regime, a partir de cinco grandes blocos:

  • Arcabouço jurídico
  • Poder econômico
  • Campanhas de propaganda política e de legitimação
  • Aparato de repressão policial e militar
  • Censura

Starling: “Alguns nomes que participaram, diretamente, da fase conspiratória e da elaboração de um projeto de reorganização do Estado, sublinhando a face civil do Golpe de 64. Esta é uma lista muito pequena dos que participaram da Gênese da ditadura”. –

  • Centro das Indústrias do Estado de São Paulo
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
  • Associação Comercial do Estado de São Paulo
  • Conselho das Classes Produtoras
  • Clube de Lojistas do Rio de Janeiro
  • Associação Comercial do Rio de Janeiro
  • Serviço Social d Indústria

Empresários:

  • Augusto Trajano Azevedo Antunes > >>>KM – Cia Auxiliar de Empresas de Mineração e associado à Hannah Corporation (Minas Águas Claras) apoiada por Bulhões e Roberto Campos.
  • Celso Mello Azevedo > >>> Centrais Elétricas de MG
  • Álvaro Borges > >>>  Moinhos Rio Grandenses
  • Harry (… ) >>>>  Grupo Gerdau ( eu pesquisei mas não encontrei referência, somente os três irmãos Germano, Klaus e Jorge Gerdau. A empresa cresceu muito no período pré e pós golpe, encampando outras Brasil afora, a exemplo de Rockefeller, JPMorgan, Carnegie e outros nos EUA).
  • Henrique de Botton e Hélio Beltrão >>> > Grupo Mesbla, faliu em 1999 deixando dívidas – pai da jornalista Maria Beltrão da Globo News. Ele foi Ministro do Planejamento de Costa e Silva em 1967; foi um dos signatários do AI-5 em 1968; presidente da Petrobrás em 1985/86, (Gov. Sarney) e se tornou acionista do Grupo Ultra de Ernesto Igel, austríaco, a mesma empresa em que Boilesen era presidente.
  • Felipe Arno >>>> Arno Indústria e Comércio
  • Boilesen  >>>>> Ultragaz de Ernesto Igel que hoje tem como acionista-herdeiro Helio Beltrão Filho.
  • Otávio Gouveia Bulhões >>>>> Hannah Corporation foi Ministro da Fazenda após o golpe, passou a fazer parte do conselho editorial da Revista Visão, que havia passado para as mãos de Said Farah por ordem dos ditadores. Dez anos depois Said se tornaria o Secretário das Comunicações do presidente Figueiredo. Já Otávio G. de Bulhões tinha as costas quentes com a USAID  (mais ou menos a apartir do 64º parágrafo) que fazia o meio de campo para favorecê-lo  – homem acima de qualquer suspeita – num dos grandes escândalos deste país.
  • Salim Chamma >>>> Grupo Chamma

 

  • Jonas Barcelos Correia >>>>> Banco Real de Crédito de Minas Gerais

 

  • Otávio Marcondes Ferraz >>>> Rhodia, Valisére, Carbono Lorena

 

  • Paulo Ferraz >>>> Estaleiro Mauá

 

  • Otávio Frias >>>> Folha de São Paulo

 

  • Antonio Gallotti >>>> Light e Brascam

 

  • Flávio Galvão >>>> Jornal Estado de São Paulo

 

  • Paulo Galvão >>>  Banco Mercantil de São Paulo

 

  • Antonio Mourão Guimarães >>>> Magnesita

 

  • Lucas Garcez >>>> Eternit do Brasil – amianto e cimento

 

  • Gilberto Hubert >>>> Listas Telefônicas Brasileiras

 

  • Israel Klabin >>>> indústria Klabin – celulose

 

  • José Lins Magalhães Lins >>>> Banco Nacional de Minas Gerais

 

  • Mario Ludolf  >>>> Cerâmica Brasileira

 

  • Mário Henrique Simonsen >>>> Banco Bozzano Simonsen

 

  • Haroldo Junqueira >>>> Açúcar União

 

  • Cândido Guinle de Paula Machado >>>> Docas de Santos e Banco Boa Vista

 

  • José Hermínio de Morais >>>> Grupo Votorantim

 

  • Luiz Villares >>>> Aços Villares

 

 

Heloisa Starling diz: que ainda permanecem uma desconcertante ausência de pesquisa e um incômodo silêncio, que precisam ser vistos, com relação ao papel dos empresários na Gênese da ditadura:

  1. 1.      Apoio, participação e financiamento da uma estrutura repressiva, que era muito ampla, destinada a materializar o poder de estado e a funcionar como ferramenta de salvaguarda do poder. Desses empresários que estavam na Gênese do golpe, quais continuaram a sustentar a estrutura de repressão do Estado? Em outras palavras, falta revelar ao Brasil, na luz do dia, o nome das lideranças e dos grupos empresariais que participaram da construção de uma ditadura que definiu a tortura como política de Estado.
  2. 2.      Como foram as complexas relações que se estabeleceram, no regime de conivência, entre militares e empresários, e que compôs a lista dos grandes escândalos de ladroagem da ditadura. Falta explicar o que ocorreu, por exemplo, entre vários outros episódios que ficaram célebres, como o escândalo do Instituto Brasileiro do Café, Caso Delfim, projeto Jari, construção da ponte Rio-Niteroi, construção da Transamazônica, Operação CAPEMI…
  3. 3.      O que aconteceu com os empresários, que sob diferentes aspectos, ficaram de fora do projeto de reorganização do novo Estado. As razões foram muitas. Alguns empresários ficaram de fora, porque não conseguiram se adequar aos parâmetros para as reformas econômicas que foram implantadas neste país, entre 1964-67 – neste plano de ação econômica do governo, plano esse que foi particularmente perverso para o empresariado brasileiro, porque permitiu que companhias multinacionais utilizassem suas subsidiárias no Brasil comprassem a preço de banana as empresas brasileiras estranguladas pelas restrições de crédito que foram impostas pelo governo.

Outras ficaram de fora por conseqüência da clara assimetria de poder entre empresas brasileiras e estímulo do capital externo. Mas nós vamos contar nos dedos, porém, os empresários que foram escorraçados porque não se reconheceram na Gênese da ditadura militar ou com ela não desejaram se identificar. 

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CIA faz devassa em busca do mapa do subsolo brasileiro

A notícia de que a CIA realizou uma verdadeira devassa no Ministério das Minas e Energia, agora num mutirão com o serviço secreto canadense, confirma uma tradição. A agencia é um labrador dos interesses norte-americanos em busca do mapa da mina brasileira –no caso, mais literal que metafórico.

Fonte:  Blog Geo direito

Um livro de mil páginas lançado no Brasil em 1998, “Seja Feita a Vossa Vontade”, dos jornalistas americanos Gerard Colby e Charlotte Dennett , detalha, sem muita repercussão então, a abrangência, os métodos e a intensidade das violações cometidas pelos EUA para avaliar e controlar recursos do subsolo brasileiro.

O livro foi lançado num momento sensível, digamos assim, o que talvez explique sua repercussão contida na emissão conservadora.

Um ano antes, o governo FHC havia privatizado a Vale do Rio Doce, o primeiro e um dos mais polêmicos episódios de uma série.

O valor da venda, em torno de R$ 3,3 bi então, seria superado, com folga, pelo lucro anual de uma das maiores mineradoras e detentoras de jazidas do planeta.

Em “Seja Feita a Vossa Vontade”, Colby e Charlotte não tratam da Vale. Mas mostram o entrelaçamento entre a cobiça privada de Nelson Rockefeller e os serviços de espionagem dos EUA na rapinagem das riquezas minerais do país.

Nessas investidas , Rockefeller e a CIA não hesitariam em recorrer a missionários para dominar áreas indígenas , bem como agir para derrubar governos que colocassem obstáculos às suas operações e negócios.

Os golpes, de 1954, contra Getúlio, frustrado pelo seu suicídio, e aquele contra Jango, dez anos mais tarde, segundo os jornalistas, tiveram o dedo de Rockefeller diretamente.

As denúncias atuais, baseadas em informações vazadas por Edward Snowden, que vem se somar às já veiculadas tendo como alvo a Petrobrás, mostram uma grau de ousadia ímpar.

A desfaçatez, no caso do pente fino nas Minas e Energia, pode estar associada à pressa em obter informações estratégicas, antes da votação do novo Código Mineral proposto pelo governo.

Ademais de elevar alíquotas de royalties, o projeto em negociação no Congresso, transfere a uma estatal o gerenciamento público da pesquisa no país.

Hoje vale a lei do velho oeste: quem chegar primeiro, registra e tem o direito de lavra. E pode dormir sobre uma reserva de mercado à espera de valorização das cotações, frequentemente em detrimento das urgências do país. Como aconteceu durante anos com minas de fosfato detidas pela iniciativa privada.

Talvez a devassa da CIA e dos canadenses tenha exatamente o objetivo de abastecer os congêneres atuais de Rockefeller com o máximo de informações possíveis para obtenção de registros. Antes de vigorar a nova lei.

Em 2000, Colby e Charlotte concederam uma entrevista a Kátia Melo, da ISTOÉ, sobre suas investigações. Alguns trechos, abaixo, revelam a extensão dos interesses por trás de uma ação da CIA:

Colby – Como presidente do Grupo Especial do Conselho Nacional de Segurança, (Nelson Rockefeller) conhecia todos os segredos da CIA e suas atividades, incluindo tentativas de assassinatos, experimentos de controle da mente, envolvimentos em golpes.

Charlotte – Se você quer ter recursos naturais e expandir seus negócios, precisa do serviço de inteligência. Precisa saber com quem está lidando e quais são os obstáculos que irá enfrentar. E fica claro no livro que Rockefeller obteve um considerável avanço em seus negócios depois de conseguir essas informações como coordenador das políticas interamericanas.

Colby – Em cada país, incluindo o Brasil, Rockefeller instaurou um conselho local administrativo formado por empresários dos países latinos e empresários americanos que nesses países residiam. Eram essas pessoas que passavam a ele informações sobre como atuar no país e como implementar seus programas. Mas o mais importante era como ganhar suporte dos governos para seus projetos. Esses contatos que ele fazia se estenderam para a área militar, como com o general Eurico Gaspar Dutra, que foi operacional no golpe de 1945 contra o presidente Getúlio Vargas. Quando assumia cargos públicos, Rockefeller estabelecia contatos que depois ele usava como empresário.

Colby – (…) a CIA ainda retém em seu poder a maior parte desses documentos. Nos papéis que conseguimos, descobrimos que os homens de Rockefeller no Brasil tinham entre 1964 e 1969 uma ligação direta com o Serviço Nacional de Informação (SNI).

Charlotte – Rockefeller estava sempre nos bastidores nos grandes momentos da política brasileira. Em 1945, no golpe que depôs Vargas, a pessoa-chave era Adolf Berle, o embaixador americano no Brasil e o protegido de Nelson Rockefeller. Depois veio o golpe de 1964 e lá estava ele agindo novamente.

Charlotte – Vargas e Jango foram os grandes obstáculos para Rockefeller realizar o que chamava de o “sonho brilhante”, o plano de desenvolvimento da Amazônia. Jango o incomodava muito porque denunciava os ricos na Amazônia, entre eles o coronel John Caldwell King, que mais tarde tornou-se o grande homem da CIA em toda a América Latina.

Colby – King também era o chefe da operação que mandava dinheiro dos EUA para o Brasil para financiar os projetos aos golpistas. A CIA também controlava as operações de financiamento para projetos no Nordeste. E a Corporação Internacional de Economia Básica (Ibec), comandada por Rockefeller no Brasil, também foi acusada de distribuir dinheiro antes do golpe contra Jango (um relatório da CIA menciona em até US$ 20 milhões).

Inclusive foi a Ibec que escreveu as leis bancárias do Brasil para estabelecer linhas de crédito mais flexíveis a negociações para continuar com as operações na Amazônia, anunciada pelos generais brasileiros.

Charlotte – Ele (Rockefeller) acreditava que o desenvolvimento da Amazônia daria um novo respiro econômico aos EUA, assim como foi a colonização do Oeste americano.

Charlotte – Cheguei a ler memorandos de Rockefeller para seus assessores em 1963 que diziam que Kennedy não estava cooperando. E ele colocava Kennedy e João Goulart na lista das pessoas que eram obstáculos para seus objetivos. Kennedy morreu em novembro de 1963 e Goulart sofreu um golpe em março de 1964.

Charlotte – Simplesmente a proteção dos interesses americanos. E isso faz parte da História. As corporações americanas sempre quiseram estabilidade para seus investimentos. E por isso apóiam os governantes que se alinham com o pensamento americano. Caso saiam da linha, pagam as consequências.

Fonte: Carta Capital

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Marina, chavismo e PT

A declaração de Marina Silva considerando-se vítima de “chavismo”  do PT, tem sintonia com declarações, sempre conservadoras, do Ministro Gilmar Mendes,  que ataca o partido de Lula por semelhanças em suas políticas sociais com a venezuelanas que beneficiam evidentemente a maioria do povo e, também, uma política externa, de não submissão aos EUA.

Marina contra chavismo

Marina Silva contra os avanços de Chávez na Venezuela e a Integração da América Latina

Hugo Chávez deixou um legado que apavora as oligarquias do mundo inteiro. Fatos: o chavismo erradicou o analfabetismo na Venezuela, que hoje tem o nível de desigualdade mais baixo da América do Sul. Convocou 23 mil médicos cubanos e hoje a Pátria de Bolívar reduziu a mortalidade infantil drasticamente, venceu a desnutrição crônica, paga o mais elevado salário mínimo da região, tem uma nova lei do trabalho, protegendo os trabalhadores da voracidade capitalista, lança satélites ao espaço e selou acordos com Rússia, China e Irã para industrializar o país, lá instalando ferrovias, fábricas de tratores, caminhões, refinarias, algo que o Brasil também necessita, urgentemente.

Não há presos políticos na Venezuela chavista, e a mídia, majoritariamente controlada por capitalistas  aliados dos EUA, pratica golpismo diuturnamente, sem censura e não há jornalistas presos lá. Nos 14 anos de Chávez  à frente do governo, foram realizadas 16 eleições, plebiscitos e referendos, dos quais o chavismo venceu 15, respeitando democraticamente o único resultado adverso.

O chavismo é atacado por suas qualidades, tal como Lula define os ataques recebidos pelo PT dos conservadores, nos quais se inclui Marina Silva, para o deleite da mídia oligárquica. Sua declaração apenas demonstra que as eleições de 2014 no Brasil serão  plebiscitárias:  ampliar a justiça social, democratizando a renda, a educação, a saúde, a terra e a informação, construindo um Brasil Nação,  com inclusão, ou então, ceder aos inimigos do Chávez, ao privativismo,  ao ecologismo imperial improdutivo, sem integração latinoamericana ou seja, um Brasil Mercado, com exclusão.

Beto Almeida

Diretor de Telesur

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Um Guia para as mudanças do Brasil por @DilmaBr

A História recente do Brasil pode ser contada em uma única frase: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição”. Sintética como um poema haicai, ampla como um sonho, o artigo 1.º, parágrafo 1.º, da nossa Constituição carrega em si séculos de lutas por um país mais democrático, justo e de oportunidades para todos.

por Dilma Roussef

A Constituição que expressa a submissão à vontade do povo em sua primeira frase nasceu 25 anos atrás em um dos momentos mais vibrantes da nossa história. Discussões reprimidas por décadas de autoritarismo e violência do Estado afloraram em dois anos de uma Constituinte multifacetária, igual a da nossa sociedade.

Hoje é comum ouvir a crítica de que nossa Constituição é por demais detalhista, mas esse exagero é explicado pelas circunstâncias. Saímos de um momento de represamento das liberdades individuais para um momento único no qual todos os setores da setores da sociedade se empenharam em debater o que se tornaria lei na nossa Carta Magna. Graças ao trabalho de homens e mulheres dignos, gigantes como Ulysses Guimarães, a Constituição foi fruto de um pacto político de inúmeras forças. O texto final é o mais avançado em termos de direitos sociais e de liberdades individuais da nossa história.

É uma Constituição ambiciosa em direitos e deveres. E nessa justa ambição reside a sua perenidade. Assim como os meus antecessores e, tenho certeza, assim como os meus sucessores, considero a Carta de 1988 um guia que aponta a direção para onde o País deve seguir. Um roteiro para um Brasil mais inclusivo, mais democrático e mais desenvolvido.

Programas de inclusão como o Brasil Sem Miséria/Bolsa Família, de afirmação como o ProUni, de universalização como o Luz e o Água para Todos e de melhoria dos serviços de saúde como o Mais Médicos têm suas sementes no artigo 3.º dos Princípios Fundamentais: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: Erradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

E o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa e o Pronatec são programas que almejam cumprir o princípio constitucional de que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Os programas de inclusão social, o Sistema Único de Saúde, a liberdade de imprensa, a impessoalidade do serviço público são todas conquistas de 1988. Pela primeira vez na história o meio ambiente ganhou um capítulo específico, no qual o poder público e a coletividade receberam “o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Em seu histórico discurso na promulgação das Constituição, Ulysses Guimarães disse que “esperamos a Constituição como o vigia espera a aurora”. Cada presidente pós-Constituição foi, a seu jeito, o guardião dessa aurora. Uma aurora de um país sedento por mais cidadania, mais democracia, mais inclusão social. Disse o doutor Ulysses no seu discurso: “A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança”. Uma mudança que construímos todos nós, brasileiras e brasileiros, todos os dias.

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PT_DF Lançamento da #Chapa499

PTDF_betoalmeida_399_Chapa499_Foto Renato Araújo

Candidato para presidência do PT-DF 399 Beto Almeida – Chapa 499 “Queremos de Volta Um PT de Lutas” – Foto de Renato Araújo

 

No lançamento da Campanha para presidência do PT-DF, no dia 1 de outubro, na Sede Nacional do PT,  pela Chapa “Queremos de volta o PT de Lutas”, o jornalista Beto Almeida pediu democracia interna no partido e que a agremiação volte às ruas onde nasceu e assuma o debate do futuro do Distrito Federal de cara a cara com o povo, sendo porta-voz de suas reivindicações fundamentais junto ao poder público.

Pediu também que o PT-DF faça campanha por um Plebiscito para que a população decida sobre a reativação da Ferrovia Luziânia-Brasília.

Propôs que o partido, que governa pela segunda vez o DF, assuma bandeiras populares como o fortalecimento da estatal Transportes Coletivos de Brasília (TCB), hoje esvaziada;  a construção da TV Pública do Distrito Federal, com base na estrutura do já existente Canal E, da Secretaria de Educação;  e o destravamento da reforma agrária do DF,  com base na agroecologia e em aliança com o cooperativismo, a agricultura familiar, os movimentos sociais e a juventude.

Segundo Beto Almeida,

” para fazer jus ao título de  Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasilia e o DF devem, também, construir um transporte coletivo público humanizado e  não-opressivo, baseado em trilhos;  praticar a democracia na comunicação, fundando sua TV Pública, e  partilhar a terra para esta não se transforme em trágico canteiro de veneno do agronegócio e sim, um jardim da agricultura familiar, fundada na agroecologia”

“Queremos de volta o PT de lutas”  Chapa – 499  – 
Beto Almeida, presidente do PT-DF –  número 399

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03/10 Beth Carvalho comanda Showmício na Praça XV contra leilão de Libra

Beth comanda Showmício na Praça XV contra leilão de Libra

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Foto do blog: ButecodoEdu  @edugoldemberg

A consagrada cantora Beth Carvalho gravou um vídeo em que convoca a população para o showmício que será realizado na próxima quinta-feira, dia 3 de outubro, às 16 horas, na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, contra o leilão do campo de Libra, no pré-sal. Nesta data, a Petrobrás comemora 60 anos de criação.

“Eu, Beth Carvalho, não posso deixar de falar para vocês que nós não podemos permitir que esse leilão aconteça”,

afirmou.

“Vamos mobilizar toda essa população para que [o governo ] não faça esse leilão de Libra”,

conclamou Beth Carvalho. O show vai ser apresentado pelo ator Paulo Betti e terá a presença de vários artistas.

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