Chapa “Queremos de volta um PT de lutas” Beto Almeida para presidente do PT-DF


Sou candidato porque queremos de volta o PT de lutas.

Em 68,   foi a primeira vez em que corri da polícia e fui batizado pela fumaça de gás lacrimogêneo da ditadura que reprimia a Manifestação dos 100 mil, no Centro do Rio de Janeiro, pedindo democracia. Tinha quinze anos. Ninguém esquece! A partir daí,  estive sempre envolvido na luta contra a ditadura e já tinha me apaixonado pelas ideias socialistas. Surge, então, com toda uma geração de jovens, a participação nas lutas reivindicando a criação de um partido operário baseado nos sindicatos.

Assim, no final de 1979, já expulso da Universidade de Brasília, sob a acusação de promover a luta de classes  –   do que me orgulho, –    foi  com honra que participei de uma atividade no Teatro de Arena, onde se discutia , pela primeira vez ali, a idéia de formação de um partido dos trabalhadores. Era como a mesma luta, a mesma caminhada, o mesmo sonho para transformar esta sociedade no interesse dos trabalhadores, no rumo do socialismo. Anistiado em 1979, a volta para  UnB,  foi também a continuidade da luta política para que a universidade se sintonizasse novamente no sonho rebelde de  Darcy Ribeiro:  uma universidade necessária,  comprometida com a liberação da Nação Brasileira.

Ao ser indicado, agora,  pela chapa “Queremos de volta o PT de Lutas”  para disputar o cargo de presidente do PT-DF,  com a tarefa de representar um esforço coletivo de militantes petistas, lutadores de uma vida inteira, para não deixar o sonho de um partido de trabalhadores se perder, para recuperar suas melhores tradições de democracia, rebeldia, participação e o programa de transformação social,  é como sentir novamente a mesma garra da juventude. Coração de estudante, como na canção,  sempre batendo forte no peito, pelas mesmas causas, sonhos, ideias…

Só que, dois governos do presidente Lula e a eleição da presidenta Dilma, colocam, para o PT desafios completamente novos. Primeiro o de defender as conquistas já alcançadas,  a ampliação do trabalho formal, a redução do desemprego,  a queda na mortalidade e na desnutrição infantil, a expansão do consumo de alimentos, roupas, calçados e bens em geral, por meio da distribuição de renda. Defender a retomada da indústria naval, a inclusão de milhões de brasileiros ao acesso à luz elétrica, a expansão da educação pública em nível superior e técnico. Agora, defender com garra e persuasão o programa Mais Médicos, programa atacado por uma sofisticada manipulação informativa,  em nome de interesses elitistas da medicina capitalista e de sua indústria farmacêutica transnacional,  que resistem à democratização da saúde.  O que implica em priorizar a construção de nossa mídia própria, como tem ressaltado o companheiro Lula, para termos capacidade  de dialogar com a grande maioria que não lê jornais, especialmente os jovens, trabalhadores e estudantes.

No plano local, onde o PT também governa, a função do partido é especialmente decisiva.  Em razão da tragédia social e política representada pelos governos Roriz e Arruda, o PT herda uma situação complexa, governando o DF numa composição que lhe dá maioria parlamentar, mas, também lhe limita, em muitos aspectos, a tomada de medidas que, mais ampla e mais rapidamente, atendam aos interesses dos setores mais sofridos da sociedade. Pagar esta a dívida social para com os mais pobres, é nossa prioridade como petistas. Investimentos importantes estão sendo realizados pelo GDF, em particular nas áreas de saúde e transporte, mas, ainda assim, são exatamente estas as duas áreas que registram o maior grau de queixas populares. Praticamente, a cada dia há protestos populares irados e legítimos contra ônibus quebrados, indicando  insatisfação explosiva, acumulada,  o que recomenda uma priorização pela empresa estatal TCB para  uma resposta rápida e radical no atendimento à população das áreas  pior servidas em transporte.  O PT deve representar esta causa junto ao GDF. Com autonomia e independência. É o melhor apoio ao GDF.

Todos estes temas candentes e centrais da vida dura da maioria do povo do DF é que devem fazer parte da agenda política do PT-DF. Esse debate democrático não tem sido feito pelo partido. Sequer o PT possui um jornal para dialogar com a população.  Está desarmado em matéria de comunicação. Uma prioridade que nossa chapa levanta, com força!

A notícia recente de que foram liberados recursos para infraestrutura do Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste, inclusive para a reativação da Ferrovia ligando Brasília a Luziânia, é um exemplo de uma discussão que o  PT-DF não realizou com a militância e a população. Essa ausência de debate, permitiu  que este projeto, de fácil execução (a ferrovia já existe) e amplo alcance social, deixasse de ser uma das prioridades do GDF, embora tenha sido um ponto da campanha eleitoral de 2010. Ou seja, não havia falta de recursos, mas não houve a mobilização do PT, solidário à população que sofre com este torturante sistema de transporte, com acidentes diários, perdas de vida, de tempo útil, de mobilidade, de preciosa convivência com a família. Neste episódio, o  PT-DF poderia ter feito a diferença, mas não se mobilizou, não atuou politicamente. O que facilitou que, praticamente ao lado da ferrovia, fosse construído  outro sistema de transporte, menos duradouro, quando a ferrovia, readaptada e remodelada, teria efeitos muito superiores, com uma brutal economia de recursos e tempo para a sociedade.

Tendo ocupado já cargos na direção do PT-DF, da CUT-DF, do Sindicato dos Radialistas,  do Sindicato dos Jornalistas do DF, da Fenaj (vice-presidente) e da  Federação Internacional dos Jornalistas (vice-presidente) e tendo feito parte da  construção da TV Comunitária do DF, há 16 anos no ar,  receber a honrosa indicação para ser candidato a presidente do PT-DF, pela chapa “Queremos de volta o PT de lutas” é dar continuidade a uma opção de vida militante pela vida afora.  Foi com muita honra que participei dos seminários “A imaginação a serviço do Brasil”, para elaborar o programa de Comunicação e Cultura da Campanha de Lula Presidente, em 2002, e, depois, a convite do presidente Hugo Chávez, na construção da Telesur, televisão de integração latino americana.  Agora, em nosso coletivo, sentimos que é hora de fazer intenso debate no interior do partido para que haja a recuperação de muitas políticas e programas que se  encontram  fora de nossa agenda. Em particular, dar a batalha para que avancemos na democratização da comunicação, como vem ocorrendo na Argentina, na Venezuela, no Equador e Bolívia, para citar apenas alguns exemplos mais próximos.

Estamos convencidos de que é o próprio PT que deve mostrar à população sua capacidade de se superar, de revigorar suas lutas fundamentais,  sabendo  atuar nas alianças sem se deixar diluir, fortalecendo a presença dos movimentos sociais, dos trabalhadores e da juventude na agenda do Partido e do GDF.  Fortalecendo a luta pela Reforma Agrária no DF e no Brasil, recuperar a luta pela Estatização do Transporte, com prioridade para a expansão vigorosa da TCB, para que o DF tenha transporte dia e noite. Fortalecer a luta política pela soberania sobre nossos recursos naturais (petróleo),  por uma telefonia pública, por uma internet pública, gratuita e democrática Nosso compromisso é , também, de democratizar a vida cultural no DF, criando um Fórum Petista Permanente de Debates  sobre todos os  temas que mais afligem a sociedade. Para impulsionar a vida política no PT, tomar iniciativas junto aos movimentos que lutam em defesa dos trabalhadores.  Isso significa trazer para o interior do partido o espírito de rebeldia e debate vigoroso que as intensas manifestações sociais estão apontando.  Ter humildade para aprender estas lutas do povo. E garra e decisão para não permitir que esta energia se perca num rotineirismo partidário injustificável, ainda mais para um partido que nasce exatamente da alma rebelde e combativa, da história de luta dos trabalhadores, intelectuais, jovens e artistas do Brasil.

Betoalmeida2mic

Beto Almeida, jornalista

Queremos de volta do PT de lutas!!!!”

Brasília,  20 de agosto de 2013.

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