As manifestações, o fracasso da comunicação do PT e propostas de superação e avanço!


A onda de manifestações que o Brasil assistiu nas últimas semanas, independente de uma explicação mais abrangente para seus múltiplos significados, trouxe pelo menos uma clara certeza: o fracasso das políticas de comunicação, tanto do Governo Dilma, como do PT.

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Tendo em mãos  conquistas econômicas e sociais importantes para dialogar com a sociedade,  os Governos Lula-Dilma  não organizaram avanços na área da comunicação. Os milhões de brasileiros que tiveram suas condições de vida elevadas, que puderam colocar seus filhos em escolas técnicas  e universitárias e  ter maior acesso  a produtos materiais e culturais, não encontraram, ao mesmo tempo, uma política publica de comunicação que os permitisse dialogar seja com o governo, seja com o universo de ideias da inclusão social do PT para elevarem-se também no plano da consciência política. Estes vastos segmentos populacionais continuam sem opção para um diálogo superior, continuam mantendo o diálogo com  as Xuxas, Gugus e Faustões.

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Especialmente essa  massa de jovens que, segundo pesquisas recentes, querem  entrar na esfera política, obviamente com uma nova estética, uma nova forma, uma nova pratica,  não encontrou da parte do PT uma esforço comunicativo para um dialogo com a visão estratégica petista.

Assim, apresentamos aqui algumas poucas ideias para o debate no interior do PT e também do governo Dilma.

1 –  Grito das Ruas –    Primeiramente, seria central que a TV Brasil e os veículos da EBC, a comunicação educativa, comunitária e universitária,  realizassem um jornalismo que contemplasse a enorme diversidade e pluralidade de opiniões  que há sobre o atual processo político, econômico, social e cultural brasileiro.  Que todas as reivindicações surgidas das ruas encontrassem na TV Brasil um espaço de diálogo organizado, ao vivo, com a participação aberta aos telespectadores, um verdadeiro Ágora Televisivo.

Assim como são feitas atualmente Aulas Públicas sobre Tarifa Zero ou sobre a Democratização da Comunicação, experiências similares poderiam ser apresentadas em painéis democráticos na TV, nacionalmente,  com  manifestantes, militantes, especialistas, técnicos, personalidades sendo confrontadas para buscar explicações praticas para os problemas mais sentidos, especialmente a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde, educação e transporte. Enquanto as TVs comerciais até suspenderam  suas novelas para transmitirem, e manipularem o sentido das manifestações, a TV Brasil  praticamente continuou com sua programação convencional, como se parte considerável da sociedade não estivesse indo para as ruas ou de olho nelas. Alias, o Programa poderia chamar-se Grito das Ruas!

2 – Jornal Popular   –  Como aceitar que um partido que tenha eleito por três vezes consecutivas o Presidente da Republica não tenha condições de organizar um jornal nacional, popular, de massas, de distribuição gratuita ou a preços módicos??. Em vários congressos ou conferências nacionais o PT aprovou a criação de um jornal popular e esta bandeira vem sendo descumprida, esquecida.  Agora, o partido paga um preço por esta omissão comunicativa. Um jornal popular seria um instrumento para promover este dialogo com as diversas esferas da sociedade, sentir a pegada da juventude, informar e ser informado também , por meio de um jornalismo transformador, das novas aspirações que estão surgindo numa sociedade que incluiu 20 milhoes de brasileiros ao consumo da eletricidade, por meio do Luz para Todos, apenas para dar um exemplo. Que aspirações novas surgem da elevação deste padrão de vida? Como dialogar politicamente com esta nova esfera da sociedade?  Da mesma forma, o PT paga um preço alto por não ter feito a Batalha das Ideias em torno do chamado Mensalão, que provocou, sem respostas, sem defesa e sem provas, um enorme desgaste na imagem petista. Sem jornal próprio, o PT não teve como dialogar com seus militantes, seus simpatizantes ou com a sociedade em geral. Evidentemente, este jornal popular aqui proposta seria também produzido na internet, on-line.

Por meio destas duas iniciativas, tanto o Governo Dilma, como o PT, poderiam, cada qual em sua esfera de ação,  envolver de maneira organizada, em canais comunicativos amplos, os diversos setores sociais descontentes e os que procuram soluções para os problemas denunciados, permitindo-lhes apresentar ideias e propostas. Mas, também, seria possibilitado, via ampliação da democracia informativa,  que haja canais para que a sociedade se informe, por exemplo, sobre porque são tão lentas a execução de certas  obras na saúde, no transporte ou na educação, e , também, porque há dificuldades e quais na própria execução do orçamento para cada obra, muitas vezes dotadas  plenamente de recursos suficientes para a sua realização.

Para discutir em detalhes estas e outras propostas, sua forma de execução,  propomos que o partido realize uma Conferência Nacional  Extraordinária  , bem como uma Conferência de Comunicação do PT, uma área em que registra enorme dificuldade de elaboração, planejamento e execução na relação com o governo Dilma

 

Nucleo de Comunicação e Cultura do PT-DF

Brasilia, 3.07.2013

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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2 respostas para As manifestações, o fracasso da comunicação do PT e propostas de superação e avanço!

  1. Nolan I. Beck disse:

    A opção do governo significa, na prática, o alinhamento aos setores mais conservadores e o apoio à manutenção do status quo da comunicação, nada plural, nada diverso e nada democrático. Enquanto países com marcos regulatórios consistentes discutem como atualizá-los frente ao cenário da convergência e países latino-americanos estabelecem novas leis para o setor, o Brasil opta por ficar com a sua, de 1962, ultrapassada e em total desrespeito à Constituição, para proteger os interesses comerciais das grandes empresas.

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