Mais juro contra a inflação fortalece neo-classe média?


Cesar Fonseca em 03/06/2013

O capitalismo é, essencialmente, contraditório, como se sabe. Veja o fenômeno da inflação atual, no Brasil. A gênese dela, sem dúvida, é a ampliação do consumo decorrente da política de expansão do gasto público e do crédito adotada como arma para enfrentar a crise mundial, detonada em 2007-2008, pela falência bancária americana, aliviada pelo governo à custa da desaceleração econômica global, ainda persistente e sem data para acabar. O presidente Lula, naquele momento, pediu socorro aos bancos privados para manter ativo o crédito ao consumidor e à produção. Teve seu pedido negado. Lançou mão, então, dos bancos públicos, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES. Eles sustentaram a produção e o consumo, apostando todas as fichas no mercado interno. Ao mesmo tempo, o governo, do lado da produção, diminuiu impostos, custos de produção e juros. E do lado do consumo, aplicou políticas redistributivas de renda, ao lado da diminuição do custo do dinheiro para movimentar crédito direto ao consumidor. Garantiu salário mínimo acima da inflação e do crescimento do PIB e ampliou os programas sociais. Nasceram, nessa jogada desenvolvimentista, como reação à crise mundial, mais de 50 milhões de novos consumidores, migrando das classes E e D para a C. A indústria, a agricultura, o comércio e os serviços ampliaram suas atividades para atender o aumento da demanda dessa nova classe, uma classe média em ascensão. A pressão dessa demanda sobre a oferta gerou tensões inflacionárias. Ou seja, a inflação atual é produto da melhor distribuição da renda nacional. Seria adequado frear a distribuição da renda para combater a alta de preços, perdendo, consequentemente, o apoio político da nova classe média, que mantém alta a popularidade do governo Dilma? Ou a alternativa, para sustentação do apoio popular, requereria dobrar aposta na distribuição da renda, para garantir os ganhos da nova classe média, à custa da redução dos ganhos das classes sociais mais fortes? O governo, para satisfazer a classe média criada pela redistribuição da renda nacional, teria que manejar a distribuição dos recursos da União, de forma mais equitativa. Nesse sentido, restaria a ele manter o orçamento não financeiro da União menos vulnerável aos contingenciamentos de recursos, para sobrar menos recursos ao orçamento financeiro. Isso significaria sangrar menos os interesses sociais(saúde, educação, segurança, infraestrutura, demandas legislativas advindas da base político parlamentar governista etc), que se alojam no orçamento não financeiro, e sangrar mais os interesses dos especuladores, que, com o aumento dos juros selic, decididos pelo Banco Central, semana passada, ganharão mais, se tudo permanecer como está, no plano da execução orçamentária. Trata-se, no plano da política econômica financeira governamental, de fazer opções no plano da economia política, como forma de garantir a continuidade do apoio da nova classe média, produto da melhor distribuição da renda nacional, geradora de pressão inflacionária. Está, fundamentalmente, em jogo a luta de classes, embora os neoliberais conservadores digam que a luta de classe acabou, o que não bate bem com os resultados da crise que estão jogando os trabalhadores contra os governos e os seus aliados, os bancos, na crise do endividamento público, que paralisa a dinâmica de reprodução ampliada do capital. E essa luta se dá no plano da distribuição dos recursos orçamentários. O exemplo explícito das tensões entre o governo Dilma e sua própria base política, no Congresso, ilustra muito bem a questão. Os congressistas resistem em continuar apoiando medidas provisórias encaminhadas pelo Executivo ao Legislativo, a toque de caixa, enquanto forem contingenciados em escala crescente os recursos correspondentes às emendas parlamentares, para que sobrem mais verbas para o pagamento dos serviços da dívida pública, que, de acordo com o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b da Constituição, não podem ser contingenciados, configurando cláusula pétrea. Vale dizer, a prioridade maior da política econômica, assegurada, constitucionalmente, é o pagamento dos juros da dívida governamental, enquanto os demais setores vem em segundo, terceiro ou quarto lugar etc. O combate à inflação, portanto, coloca em cena, de forma mais nítida, a luta de classes, a partir da opção dos governos Lula e Dilma de melhor distribuir a renda, cujos resultados foram a ascensão de uma nova classe média, cuja sobrevivência estará ameaçada, se o mandamento constitucional, que prioriza os interesses do mercado financeiro sobreporem aos das demais classes sociais, especialmente, as mais frágeis. Essa é a verdadeira questão que está por trás do combate à inflação. Se ela for combatida à custa do poder de compra da classe média que nasceu com o lulismo-dilmismo-petismo, certamente, a reeleição da presidenta Dilma Rousseff estará em risco, e o aumento do juro, daqui pra frente, em nome do combate à inflação, favorecerá a oposição.

TOMBINI NA CORDA BAMBA. O capitalismo é, essencialmente, contraditório, como se sabe.
Veja o fenômeno da inflação atual, no Brasil.
A gênese dela, sem dúvida, é a melhor distribuição da renda que ampliou o consumo  a partir da expansão do gasto público e do crédito adotada como arma para enfrentar a crise mundial, detonada em 2007-2008, pela falência bancária americana, aliviada pelo governo à custa da desaceleração econômica global, ainda persistente e sem data para acabar.
O presidente Lula, naquele momento, pediu socorro aos bancos privados para manter ativo o crédito ao consumidor e à produção.
Não foi atendido.
Lançou mão, então, dos bancos públicos, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES.
Eles sustentaram a produção e o consumo, apostando todas as fichas no mercado interno.
Ao mesmo tempo, o governo, do lado da produção, diminuiu impostos, custos operacionais das empresas e  juros.
E do lado do consumo, aplicou políticas redistributivas de renda, diminuição do custo do dinheiro para movimentar crédito direto ao consumidor.
Garantiu salário mínimo acima da inflação e do crescimento do PIB e ampliou os programas sociais.
Nasceram, nessa jogada desenvolvimentista, como reação à crise mundial, mais de 50 milhões de novos consumidores, migrando das classes E e D para a C.
A indústria, a agricultura, o comércio e os serviços ampliaram suas atividades para atender o aumento da demanda dessa nova classe média em ascensão.
A pressão dessa demanda sobre a oferta gerou tensões inflacionárias.
Repetindo, a inflação atual é produto da melhor distribuição da renda nacional.
Seria adequado frear a distribuição da renda via juro alto para combater a alta de preços, perdendo, consequentemente, o apoio político da nova classe média, que mantém alta a popularidade do governo Dilma?
Ou a alternativa, para sustentação do apoio popular, requereria dobrar aposta na distribuição da renda, para garantir os ganhos da nova classe média, à custa da redução dos ganhos das classes sociais mais fortes, por meio de estratégia anti-inflacionária de novo calibre social, determinado pelas novas circunstâncias históricas, criadoras de outras correlações de forças políticas?
O governo, para satisfazer a classe média criada pela redistribuição da renda nacional, teria ou não que manejar a distribuição dos recursos da União, de forma mais equitativa?
Nesse sentido, restaria a ele manter ou não orçamento não financeiro da União menos vulnerável aos contingenciamentos de recursos, para sobrar menos recursos ao orçamento financeiro?
Isso significaria sangrar menos os interesses sociais(saúde, educação, segurança, infraestrutura, demandas legislativas advindas da base político parlamentar governista etc), que se alojam no orçamento não financeiro, e sangrar mais os interesses dos especuladores, que, com o aumento dos juros selic, decididos pelo Banco Central, semana passada, ganharão mais, se tudo permanecer como está, no plano da execução orçamentária?
Trata-se, no plano da política econômica financeira governamental, de fazer opções no que diz respeito à condução da economia política, como forma de garantir a continuidade do apoio da nova classe média, produto da melhor distribuição da renda nacional, geradora de pressão inflacionária, ou não?

Está, fundamentalmente, em jogo a luta de classes, embora os neoliberais conservadores digam que a luta de classe acabou, algo que não bate bem com os resultados negativos gerados pela crise mundial em curso, responsável por jogar trabalhadores contra os governos e os seus aliados, os bancos, no processo explosivo de endividamento público, bloqueador da dinâmica da reprodução ampliada do capital, garantida, até o estouro em 2007-2008, na base da especulação.

E essa luta, é claro, se dá no plano da distribuição dos recursos orçamentários.
O exemplo explícito das tensões entre o governo Dilma e sua própria base política, no Congresso, ilustra muito bem a questão.

Os congressistas resistem em continuar apoiando medidas provisórias encaminhadas pelo Executivo ao Legislativo, a toque de caixa, enquanto forem contingenciados em escala crescente os recursos correspondentes às emendas parlamentares, para que sobrem mais verbas para o pagamento dos serviços da dívida pública, que, de acordo com o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b da Constituição, não podem ser contingenciadas, configurando cláusula pétrea.

Vale dizer, a prioridade maior da política econômica, assegurada, constitucionalmente, é o pagamento dos juros da dívida governamental, enquanto os demais setores vêm em segundo, terceiro ou quarto lugar etc.

O combate à inflação, portanto, coloca em cena, de forma mais nítida e brutal, a luta de classes, a partir da opção dos governos Lula e Dilma por melhor distribuir a renda, cujos resultados foram a ascensão de uma nova classe média, cuja sobrevivência estará ameaçada, se o mandamento constitucional, que prioriza os interesses do mercado financeiro, continuar, indefinidamente, sobrepondo-se aos das demais classes sociais, especialmente, as mais frágeis, expressas na classe C.

Essa é a verdadeira questão que está por trás do combate à inflação, fato a implicar escolha política quanto a definir quem ganha e quem perde com ela.

Se  for combatida à custa do poder de compra da classe média que nasceu com o lulismo-dilmismo-petismo, mediante melhor distribuição da renda nacional, certamente, a reeleição da presidenta Dilma Rousseff estará em risco, e o aumento do juro, daqui pra frente, em nome do combate à inflação, favorecerá a oposição, se a renda dos trabalhadores não for preservada, sofrendo deteriorações, para favorecer os especuladores que estarão atuando para ganhar com o maior custo do dinheiro, desequilibrando a política cambial, elevando o endividamento público, desindustrializando a economia e afetando, consequentemente, as contas externas.

 

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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2 respostas para Mais juro contra a inflação fortalece neo-classe média?

  1. . O consumo da nova classe média aqueceu o mercado e ajudou o Brasil a minimizar os impactos da crise internacional de 2008-2011 .

  2. Pingback: A má notícia nossa de cada dia: Dilma será reeleita. | SCOMBROS

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