Cuba e Haiti: o humanismo como bandeira


Nuria Barbosa León

A solidariedade e o humanismo caracterizam os vínculos entre Cuba e o Haiti, postos à prova em momentos difíceis e cruciais para as duas nações.

Em 1996, os dois países decidiram reatar os vínculos diplomáticos, interruptos durante 37 anos. Suas bases históricas datam do século 19, quando líderes independentistas cubanos, como José Martí e Antonio Maceo, receberam a hospitalidade do povo haitiano, durante a preparação das lutas libertadoras contra o colonialismo espanhol.

Um dos momentos históricos dos vínculos bilaterais foi a chegada ao Haiti duma brigada medica cubana, em 1998, com 350 integrantes, por ocasião da destruição provocada pelos furacões George e Mitch. Em 2010, esta ajuda incrementou-se para mais de 700 especialistas, aos quais aderiram 380 graduados da Escola Latino-Americana de Medicina, de 27 países, para enfrentar a emergência provocada por um terremoto letal, que matou, em poucos segundos, quase 220 mil pessoas, deixou feridas outras 300 mil e desabrigado 1,5 milhão. Médicos cubanos também ajudaram o governo haitiano a controlar a epidemia de cólera, que matou mais de 7 mil pessoas.

Destaca na cooperação bilateral os mais de 150 mil haitianos alfabetizados graças ao método cubano ‘Sim, eu Posso’, adaptado ao idioma crioulo, onde também intervêm, aproximadamente, 50 assessores cubanos, que mantêm abertas mais de 2 mil salas de aula, ajudados pelos facilitadores locais. Pretende-se que mais 300 mil pessoas aprendam a ler e a escrever. O analfabetismo puro e funcional nessa nação caribenha ultrapassa 50% da população, um dos maiores na América Latina, flagelo que também fomenta a pobreza e a exclusão.

Após participar em Havana dum ato de solidariedade organizado pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), numa intervenção acerca das relações entre os dois países o embaixador haitiano, Jean Víctor Généus, expressou: “Cada vez que um evento devastador tem golpeado o Haiti, a resposta de Cuba foi imediata e desinteresseira, apesar dos escassos recursos de que dispõe e do bloqueio injusto, ilegal e desumano imposto pelos Estados Unidos, há mais de 50 anos”. Por tal motivo, a nação haitiana, em atitude valente, acompanha sua irmã cubana nas Nações Unidas, condenando essa criminosa política de Washington.

A doutora Michele Santana Iglesias, funcionaria da área de colaboração do Ministério da Saúde Pública de Cuba, expressou ao Granma Internacional que no Haiti funcionam 24 hospitais de referência, atendidos por pessoal cubano, e existe o propósito de incrementar essas instalações até 30, com a ajuda da Venezuela, Noruega e o Brasil. Também se constrói um laboratório nacional para próteses ortopédicas, enquanto especialistas cubanos trabalham em 30 salas de reabilitação, criadas depois do terremoto, para tratar pessoas que precisam desse serviço. Anteriormente ao ano 2010, no Haiti também se levou a cabo a Operação Milagre para corrigir a cegueira em pessoas de escassos recursos.

Por outra parte, mais de mil médicos têm sido graduados em Cuba. Pierre Willer Nelson, de 25 anos e natural de Porto Príncipe, cursa o sexto ano na Faculdade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba, e expressou que a seleção para aceder à bolsa foi muito rigorosa. “A única condição depois de concluir a carreira será servir a meu país” e acrescentou: “Em Cuba, além dos estudos, temos hospedagem, alimentação e roupa gratuitamente”.

Weldry Delince é mais um exemplo, graduou-se de agronomia e por ser o aluno estrangeiro mais destacado, recebeu o direito para cursar um mestrado. Atualmente, pesquisa acerca de química agrária. Seu principal obstáculo: o idioma espanhol e sua maior felicidade: o dia do ato de graduação da licenciatura. Contou que em Cuba os estudantes haitianos mantêm suas tradições, participam de galas culturais e de festivais esportivos. Cada 18 de maio, quando se comemora a Festa da Bandeira do Haiti, eles convocam bolsistas, professores e diretivos das diferentes universidades para participar dessa homenagem.

Sem dúvida, outro momento histórico entre os dois países foi a visita a Cuba do presidente Michel Martelly, em novembro de 2012, ocasião em que foram assinados oito novos acordos bilaterais em setores da saúde, agricultura, educação, siderurgia e indústria alimentar.

Entre os acordos assinados inclui-se a colaboração de especialistas cubanos no setor açucareiro haitiano, além do controle de doenças animais, funcionamento de laboratórios, inspeção sanitária e contribuição para o desenvolvimento da agricultura.

Na Cúpula da Unidade da América Latina e o Caribe, em 23 de fevereiro de 2010, o presidente cubano, Raúl Castro Ruz expressou: “Posso afirmar que a colaboração cubana e seu modesto esforço ficarão no Haiti os anos que sejam necessários, se o governo dessa nação assim dispuser. Nosso país, ferrenhamente bloqueado, não tem muitos recursos, mas está disposto a compartilhar sua pobreza com aqueles que mais precisarem no continente”

Fonte: Granma

 

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