Dilma acertou nas asas


Cesar Fonseca em 07/05/2013

Assim como Lula fez parceria estratégia com Maluf para garantir eleição do prefeito Haddad em São Paulo, da mesma forma, agora, antecipadamente, Dilma alia-se a um ex-discipulo de Maluf,  Afif, aliado de Kassab, do PSD, para fortalecer a base petista no Estado mais rico do País, tirando esses dois esteios da base do tucanato e, automaticamente, fortalecendo-se para a sucessão paulista em 2014.

TREMENDO TIRO DILMISTA NAS ASAS DOS TUCANOS DE SÃO PAULO COM REPERCUSSÃO EM TODOS OS ESTADOS DA FEDERAÇÃO, ENVOLVENDO UMA NOVA PARCEIRA COM AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, RESPONSÁVEIS POR 35% DO PIB E 95% DA OFERTA DE EMPREGO NO PAÍS.

Fonte: Independência SulAmericana 

Assim como Lula fez parceria estratégia, em 2012, com Maluf para garantir eleição do prefeito Haddad em São Paulo, da mesma forma, agora, antecipadamente, Dilma, de forma pragmática, revelando cintura política afiada,  alia-se a um ex-discípulo de Maluf, o vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos, parceiro de Kassab, do PSD, para fortalecer o alicerce político-eleitoral petista no Estado mais rico do País, tirando esses dois esteios da base do tucanato e, automaticamente, ganhando mais fôlego para a sucessão paulista em 2014.

A  presidenta Dilma leva para seu Ministério alguém que tem profundas raízes no varejo nacional, que fez sua carreira política militante junto aos micro e pequenos empresários, credenciando-se a ser candidato à presidência da República, em 1989, para disputar com Collor e Lula a sucessão de Sarney. Ancorado na força política da poderosa Associação Comercial de São Paulo – não em termos econômico-financeiros, mas políticos – , Afif não faz parte da panela poderosa da Confederação e das Federações Comerciais (CNC e filiadas).

Enquanto estas, a exemplo da Confederação e das Federações Industriais(CNI e filiadas), são ricas, por comandarem os recursos do SESC, SENAC, SESI e SENAI, oriundos de um percentual incidente sobre as folhas nacionais de salários dos trabalhadores, repassado pelo INSS, levantando, consequentemente, uma baba de dinheiro, responsável por financiar, também, o Sebrae e seus filiados nos 27 estados da Federação, as Associações Comerciais, organizadas em torno da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), ao contrário,  são, relativamente, pobres, pois dependentes do levantamento de dinheiro dos próprios associados.

São, nesse sentido, mais autênticas e  representativas de suas respectivas bases. É nesse campo que Afif criou seu patrimônio político que o levou, primeiro, à presidência da Associação Comercial de São Paulo, depois ao comando da influente Confederação Nacional das Associações Comerciais do Brasil,  à Câmara dos Deputados, na Constituinte, à candidatura presidencial e, posteriormente, à presidência do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, quando encaminhou e aprovou no parlamento o Estatuto da Micro e da Pequena Empresa, pela primeira vez, no Brasil. Levantou, enquanto presidente do Sebrae, a ira dos poderosos da CNI e da CNC, inconformados com a ascensão dele ao meio político altamente corporativo das confederações nacionais, sem dele ser integrante.

Lá chegara porque, astuciosamente, negociara com o ex-presidente Itamar Franco, em aliança com Henrique Hargreaves, ministro-chefe da Casa Civil, sua candidatura, argumentando que a força do Planalto, na composição do Conselho Deliberativo do Sebrae, era e é determinante, portanto, necessária para dar vez àqueles que sempre foram marginalizados pelo corporativismo empresarial, ou seja, os micro e pequenos empreendedores.

No cargo de presidente do Sebrae nacional, enfiou uma cunha que permitiu aos micro e pequenos empresários, ligados às associações comerciais, alcançar uma cadeira no poderoso conselho, no qual compareciam, somente, os manda-chuvas da indústria e do comércio.

Sem nunca largar a Associação Comercial de São Paulo, sem nunca deixar de ser crítico acerbo da excessiva carga tributária indireta sobre os assalariados e, principalmente, sobre os microempresários, Guilherme Afif Domingo disputou o Senado, em São Paulo, não se elegendo, mas abrindo espaço para alianças fortes no governo de José Serra, quando ocupou Secretaria do Trabalho paulista.

No governo Alckmin formaria chapa sendo vice governador, na aliança PSDB-DEM. Sairia do DEM para formar o PSD, presidido por Kassab. Agora, quando a lógica política poderia indicar sua candidatura futura, de novo, ao Senado ou, quem sabe algum dia, ao Palácio dos Bandeirantes, seu grande sonho, larga seus aliados do momento, no PSDB, sem aparente rompimento estrondoso, porém, em situação incômoda e conflituosa com o governador por ter sido um dos cabeças da criação do PSD, para integrar-se ao Ministério Dilma.

Curiosamente, a bancada do PSD, na Câmara, está contrária à decisão de Afif de assumir o cargo em nome do partido, pois considera estar sendo mal tratada pela titular do Planalto, embora possua 51 parlamentares. Afif não teria , previamente, comunicado aos seus companheiros que decidira aceita o convite da presidenta. Ou seja, há um mal estar, mas nenhum dos parlamentares considera que seria possível negar o convite presidencial.

Defendem que Afif deveria aceitar a missão não em nome do partido, mas como decisão pessoal. Mas, quem vai dependurar o guizo no pescoço do gato?

Os tucanos levaram tremenda rasteira, porque a titular do Planalto, sem dúvida, põe na sua equipe um líder autêntico dos micro e pequenos empresários brasileiros, responsáveis por mais de 35% do PIB nacional e por 95% da oferta de emprego no País.

Certamente, Afif sentiu que no meio dos tucanos, onde a masturbação sociológica predomina, não deixando sombra para os outros, não teria muito futuro.  Haverá esvaziamento do Sebrae Nacional ou uma nova composição no comando do mesmo, com Afif  titular da Secretaria da Pequena Empresa, na condição de Ministro de Estado? Não se sabe. O fato é que o novo ministro, como sua carreira política demonstra, continuará abrindo picadas, com o horizonte posto em 2014.

Candidato, de novo, ao Senado? Ao Palácio dos Bandeirantes? A uma coordenação das forças governistas no Congresso, onde Dilma está encontrando dificuldades com uma base que bate cabeça na condução de assuntos importantes, como a reforma tributária, lei dos portos etc? Só não seria, evidentemente, candidato ao Palácio do Planalto, porque aí trombaria com a chefa.

O certo é que fará uma política forte para o varejo, a partir do momento em que sua chegada a Brasília coincide com o anúncio feito pela presidenta Dilma, no ato da indicação do novo ministro, de juros de 5% ao ano para o pequeno comércio, o mais prejudicado, na atual conjuntura, quando o setor se organiza, praticamente, no ambiente dos poderosos shoppings, cujas representações políticas não se encontram nas associações comerciais, mas nas fortes confederações, na CNC e na CNI.

Como diz a sabedoria empresarial, um homem faz uma empresa, uma empresa não faz o homem. O exemplo valeria também para o governo? Quanto mais experiência possui, mais influi?

Os tucanos poderão ter sido atingidos por um poderoso tiro em suas asas, deixando escapulir, para Dilma, um aliado tão forte  que ampliará força conjunta no espaço do PT-PSD.

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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2 respostas para Dilma acertou nas asas

  1. Pingback: Como os bancos lucram com a fome do mundo | SCOMBROS

  2. D.DILMA está mostrando que sabe administrar o Brasil muito melhor do que se poderia imaginar. Age com diplomacia sem alardes! GRANDE D.DILMA!

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