Brasil – Telefônica: lucros nas alturas e serviços ruins para os usuários


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Lucro líquido da multinacional em 2012 foi de R$ 4,452 bi, o quarto maior entre as empresas instaladas no país

O lucro líquido da Telefónica/Vivo, R$ 4,452 bilhões, divulgado na segunda-feira, é o quarto maior entre as empresas instaladas no país. Das empresas não-financeiras (isto é, fora os cinco maiores bancos), somente a Petrobrás, a Vale e a hoje belgo-americana Ambev têm lucro líquido maior que a Telefónica.

O escândalo, naturalmente, está em que a atividade da Telefónica é meramente a de parasita monopolista, propiciada pela privatização da Telesp no governo Fernando Henrique Cardoso (a holding controladora das empresas da Telefónica no Brasil continua sendo a “SP Telecomunicações Participações Ltda.”, por sua vez controlada pela Telefónica Internacional S.A. – que tem três acionistas principais: o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, hoje o maior banco do sul dos EUA, a Caja de Ahorros y Pensiones de Barcelona e os norte-americanos da Blackrock, maior empresa de “gestão financeira” de Wall Street, com origem no falecido First Boston, um banco que era ramificação do Credit Suisse e do Morgan Stanley).

O faturamento (receita bruta) da Telefónica no Brasil em 2012 foi R$ 50,279 bilhões (o que significa que a Telefónica abocanhou 1/4 do faturamento total do mais rentável setor privado do país).

SETOR

Mas trata-se de um setor com alguns problemas, como diria o ministro Paulo Bernardo: apesar de privatizado e altamente lucrativo, desde 2003 até 2012 ele absorveu desembolsos do BNDES num total de R$ 29,15 bilhões. Somente em 2012, foram R$ 4,84 bilhões; para ser justo, quase 30% dos desembolsos do BNDES para as teles, desde 2003, foram feitos nos últimos dois anos (cf. BNDES, Estatísticas Operacionais – Desembolso Anual por Setor CNAE).

No entanto, é um setor que não funciona desde que foi privatizado pelos tucanos. Não há quem esteja satisfeito com os carroceiros serviços das empresas de telecomunicação, sempre por preço de ouro. Até a ANATEL, conhecida pela extraordinária complacência, de vez em quando tem que tomar alguma medida, ainda que marketeira, ou seja, apenas para passar ao público que está fazendo alguma coisa.

Porém, de toda essa quadrilha que se instalou nas telecomunicações com os fernando-henrique, mendonça-de-barros, elena-lalau e outros augustos zeladores do patrimônio público e do dinheiro público, nenhuma é pior que a Telefónica – uma recordista de multas e punições da União Europeia, agora recordista de reclamações ao Procon, sempre por ação de monopólio e deslealdade com os usuários e outras empresas (na Espanha ficou famosa a derrubada na velocidade da Internet, provocada pela Telefónica quando o usuário não era cliente do seu provedor, o Terra).

Nos últimos três anos, depois da “consolidação” retroativa com a Vivo, a Telefónica faturou, no Brasil, R$ 45,888 bilhões (2010), R$ 49,100 bilhões (2011) e R$ 50,279 bilhões – isto é, em três anos, um faturamento de R$ 145,267 bilhões (números extraídos dos balanços da Telefónica/Vivo).

Ah, sim, mas isso, diria o sr. Valente, presidente da filial no Brasil da benemérita multinacional, é faturamento, receita bruta. Não estamos descontando os gastos, em especial os… investimentos.

É verdade. O problema é que ninguém viu esses investimentos, apesar deles serem declarados com fartura em sucessivos balanços. Apenas transcreveremos aqui um pequeno trecho do último estudo da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) sobre as atividades da Telefónica no seu nicho monopólico, isto é, em São Paulo:

Interface com o Usuário:

Call Center: Atendimento de baixa-média qualidade

Postos de Serviços: Em fase de desativação

Orelhões: Em más condições de manutenção

Rede Física: Em más condições de manutenção e expansão

Rede Subterrânea: Em más condições de manutenção e expansão

Serviços em si: Baixa-média qualidade

Tarifas e Preços: Elevados

Avaliação técnica: Nota 4,5 (Escala de 0 a 10) – Estrutura Reprovada quando comparada com países do 1º Mundo” (v. AET, “Telecomunicações na cidade de São Paulo“, maio/2012, pág. 59).

Em compensação, as remessas de lucros e as importações são mais do que visíveis (o setor de telecomunicações aumentou suas remessas de lucros, entre 2007 e 2011, em 430,80%; quanto às importações das teles, elas aumentaram 320,80% entre 2004 e 2011 – sem contar as importações de componentes de telecomunicações em geral, apenas as importações feitas diretamente pelas teles).

VÍCIO

Bem, leitor, parece óbvio que uma empresa com um lucro líquido (isto é, lucro depois de pagas todas as despesas e feitos todos os gastos) de R$ 4,452 bilhões, tem dinheiro de sobra para investir. E, considerando o seu inveterado vício de arrancar o couro da população, não mereceria um prêmio por suas atividades. No entanto, não é essa a opinião do ministro Paulo Bernardo.

No último dia 18, o Ministério das Comunicações divulgou decreto isentando “as empresas, a maioria estrangeira, do pagamento do PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A pretexto de investir em infraestrutura, as teles exigiram a desoneração de tributos. Além das desonerações, o presidente da Anatel, João Rezende, sinalizou na terça-feira (19) premiar as teles com isenção das multas por má prestação de serviços: ‘Colocaremos sete metodologias de aplicação de multa em debate. Entre elas, a possibilidade de reverter as multas em investimentos, mas só em março isso só deverá ser colocado em consulta pública’, disse João Rezende, durante o Seminário Políticas de Telecomunicações” (v. HP, 20/02/2013).

REMESSAS

Para que servirá isso, senão para aumentar as remessas de lucros e as importações? Como escreveu Gustavo Gindre, em outubro do ano passado:

“… a Vivo (com ações vendidas na Bovespa) segue sendo uma empresa lucrativa. Mas, o mesmo não ocorre com sua matriz espanhola (onde funciona com a marca Telefónica) e nos demais países europeus (através da marca O2). A empresa deve US$ 58 bilhões, sendo US$ 15 bilhões com vencimento nos próximos dois anos. E não para de encolher em sua terra natal, graças à crise que destrói a economia do país. Nos últimos tempos a Telefonica tem feito tudo para conseguir recursos. Vendeu sua participação em uma operadora chinesa e a totalidade da Atento (gigante mundial do telemarketing).

Bem como se prepara para ofertar em bolsa 23% da O2 alemã. O problema é que isso não parece ser suficiente. Enquanto sangra na Europa, a América Latina segue sendo a galinha dos ovos de ouro. (…) Ainda está vivo (sem trocadilhos) na memória dos paulistas os seguidos problemas do Speedy (…). Pois, é bom que o órgão regulador brasileiro fique de olho nos investimentos da Vivo, uma vez que as remessas de dólares do Brasil para a Espanha passaram a ser determinantes para o futuro da Telefónica“.

CARLOS LOPES Hora do Povo

Sobre midiacrucis

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3 respostas para Brasil – Telefônica: lucros nas alturas e serviços ruins para os usuários

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