Crise global exige nacionalização do ouro por Benayon


por

Adriano Benayon

Doutor em economia e autor do livro

“Globalização versus Desenvolvimento” 

O Nióbio é Nosso!  

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O OURO, COMO O PETRÓLEO, É NOSSO. CAMPANHA NACIONAL JÁ PELA ESTATIZAÇÃO DESSE METAL PRECIOSO QUE OS PIRATAS, EM PARACATU, ESTÃO ROUBANDO DO POVO BRASILEIRO NAS BARBAS DO GOVERNO. ESCÂNDALO!

A anarquia financeira global, detonada a partir de 2007/2008, ressuscita o ouro por meio da decisão dos governos dos países capitalistas ricos de comprarem em grande quantidades esse metal. Por que? Simples.

Tais governos acumulam trilhões de dólares e euros em títulos cujo valor nominal está na casa dos zero ou negativo, porque a sobreacumulação de capital especulativo, derivativo e que tais produziu, dialeticamente, o seu contrário dinâmico, ou seja, a sobredesvalorização cambial. Consequentemente, desatou a guerra monetária global.

E quanto mais a crise se apresenta como expressão produzida pela anarquia das moedas podres acumuladas nos tesouros dos governos financeiramente falidos, especialmente, os mais ricos, mais a desorganização da economia global se intensifica, aprofundando a luta de classes em escala mundial. Qual a decisão que esses governos tomam? Sem saída, partiram para emitir mais e mais moedas, ao lado da sustentação de taxas de juros zero ou negativas.

O objetivo é óbvio: dar o calote nas dívidas, porque qualquer juro positivo, por mais baixo que seja, estoura as finanças governamentais, colocando a situação econômica desses governos perdidos diante de inevitável hiperinflação, ao lado da deflação dos preços que já sofrem, mantendo a economia real em situação de catástrofe. Nesse contexto, os parlamentos dos países ricos em crise – Europa, Japão, China, Estados Unidos, decidem pela compra de ouro, como reserva capaz de garanti-los em casos de bancarrota definitivas.

O parlamento alemão tomou essa decisão há pouco, repetindo o que fez m 1974, sob governo socialista de Willy Brand, que, ao tentar resgatar suas reservas em ouro, no Forte Knox, nos Estados Unidos, levou o Governo Nixon a desvincular o dólar do ouro, dando um beiço geral na praça global.

Pode pintar novo movimento nesse sentido, quando a situação internacional é muito pior do que naquela ocasião? Por enquanto, os governos e seus bancos centrais, poderosos, não deixaram os bancos, atolados de papéis podres, quebrarem. Para tanto, emitiram bilhões e bilhões de euros, dólares e ienes para garantir valor nominal aos títulos que já não valem mais nada, tudo para evitar que a anarquia financeira global desemboque num tsunami monumental de moedas imprestáveis, repetindo, em escala bem maior, o que aconteceu na Alemanha, nos anos de 1930, detonando hiperinflação e o nazi-fascismo.

Ocorre que esses bancos centrais não sabem mais o que fazer, pois estão fazendo tudo o que condenaram até bem pouco tempo, ou seja, expandir a oferta de moeda em escala inimaginável, aprofundando a anarquia. Diante desse contexto explosivo, ganha força, como destaca esse artigo do professor Benayon, o comércio de ouro. O que faz o Brasil, grande produtor de ouro?

Em Paracatu, aqui nas barbas do poder federal, em Brasilia, empresa inglesa, cuja maior acionista é a rainha da Inglaterra, retira, mensalmente, no chamado Morro do Ouro, centenas de toneladas de ouro, levando-as para o exterior, enquanto a velha cidade histórica mineira não ganha nenhum centavo de royalty.

Não chegou a hora decisiva da presidenta Dilma Rousseff encaminhar ao Congresso projeto de lei estatizando as reservas de ouro no país, no momento em que esse metal volta a ser estratégico para a saúde financeira dos governos falidos?

Com as reservas de ouro brasileiras estatizadas, a dívida pública nacional, na casa dos R$ 2 trilhões, pagando juro de R$ 200 bilhões/ano, seria paga à vista, com grande desconto, tirando das costas do governo um peso imenso em forma de restrição ao crescimento econômico. O poder petista-peemedebista-dilmista-nacionalista está dormindo no ponto em cima de riquezas incalculáveis, enquanto os piratas levam o nosso ouro, como no tempo das explorações sanguinárias em Ouro Preto, Potosi, Diamantina, no século 17 etc.

VAMOS MEXER, PARACATUENSES, BRASILEIROS E BRASILEIRAS, OU VAMOS FICAR PARADOS, DE BOCA ABERTA, CHEIA DE DENTES, ESPERANDO SOBRAR APENAS O BURACO PARA CAIRMOS LÁ DENTRO, MORTOS? (César Fonseca)

O Brasil dispõe, em seu

território, de grandes

reservas de ouro, que

Novos dados informam que somente cinco bancos têm ativos de  8,5 trilhões de dólares, o equivalente a 56% do PIB dos Estados Unidos:JP Morgan Chase, Goldman Sachs Group, Citigroup, Bank of America e Wells Fargo.

02. Os dez maiores bancos do mundo teriam US$ 6,4 trilhões dos mais de US$ 30 trilhões aplicados nos paraísos fiscais  (offshore).  Somente 92 mil pessoas (0,001% da população mundial) possuem US$ 10 trilhões nessas localidades. Nos EUA só 400 indivíduos teriam riqueza igual à de 50% da população do país.

03. Aí estão ilustrações do que tenho exposto: os concentradores aumentam seu poder durante a depressão econômica e não têm interesse em que ela acabe.

04. Durante as fases de crescimento real da economia, após certo tempo, a finança começa a crescer mais que a produção de bens e serviços, inclusive porque os lucros crescem mais rápido que os salários.

05. Além disso, no setor produtivo as fusões e aquisições de empresas levam a aumento da concentração. Após um tempo, os salários, exceto o de muito poucas categorias, começam a decrescer em termos reais, perdendo para a inflação dos preços.

volta a ser alvo dos governos

financeiramente falidos,

afetados pela sobreacumulação

06. Paralelamente, como é natural, a demanda por bens e serviços só aumenta através do crédito, formando-se as bolhas, como foi o caso da imobiliária nos EUA, apontada como desencadeadora do colapso financeiro iniciado em 2007/2008.

07. Entretanto, essa não é a única nem a principal bolha. As principais decorrem de manipulações nos mercados financeiros, como foi a das ações de empresas de informática (1997/2001) e a imensa que a ela se seguiu, a dos derivativos.

08. Nesta foram  gerados mais de 600 trilhões de dólares, nos computadores do sistema financeiro: títulos montados em cima de outros títulos e de coisas irreais, como: apostas em inadimplência de títulos (credit default swaps) e em índices de taxas de juro, de taxas de câmbio; operações de hedge, ou seja, jogando, ao mesmo tempo, na alta e na baixa dos mesmos títulos. Até emprestando a um país e apostando na elevação dos juros dessa dívida,  como fez o Goldman Sachs com a Grécia, entre outros.

09. Assim, a par da concentração e maior oligopolização dos setores produtivos, a financeirização da economia foi assumindo dimensões gigantescas. Ela se pode definir como a formação de ativos financeiros em proporção exponencialmente maior que a dos ativos reais e produtivos.

10. Após anos nessa escalada, é natural que os preços desses ativos também aumentem exponencialmente e que, em determinado ponto, se verifique sua irrealidade, o que dá início ao estouro das bolhas.

de papéis podres, colocando-os

em perigo de sofrerem

hiperinflações exponenciais e,

11. Esse ponto foi atingido em 2007/2008, e a partir daí os preços dos ativos começam a cair. Os devedores viram-se presos numa armadilha, pois continuaram tendo que pagar as dívidas, e muitos deles não mais o puderam fazer, tendo suas casas sido tomadas pelos bancos.

12. Hoje  nos EUA as dívidas dos estudantes ultrapassaram  US$ 1 trilhão, e os saldos devedores dos cartões de crédito chegam a U$ 800 bilhões.

13. Em 2007/2008, as empresas de muitos manipuladores financeiros entraram em dificuldades, embora não os seus donos e executivos, que haviam transferido, para si mesmos em outras destinações. a maior parte dos lucros com a especulação, movida através de alta alavancagem (uso de margem mínima de capital próprio nas operações financeiras).

14. Os grandes bancos ficaram praticamente falidos quando a bolha levou a perceber que o valor real dos derivativos não correspondia senão a pequena fração, próxima a zero, do valor nominal desses títulos.

15. Então, por que não foram liquidados, o que teria permitido aos Tesouros nacionais dos EUA, e de vários países europeus, por exemplo, sanear as finanças e a economia?

16. Porque os Tesouros e os bancos centrais os salvaram, com dezenas de trilhões de dólares e de euros  dos contribuintes e principalmente com emissões de dinheiro (especialmente nos EUA)  e de títulos públicos, inclusive adquirindo pelo valor nominal os títulos podres  dos bancos e empresas financeiras.

consequentemente, exporem-nos

ao perigo de explosões políticas

que já levaram o mundo ao

17. Os pseudo-governos desses países têm o desplante de dizer que são democráticos. Os grandes bancos os controlam, como controlam  “mercados financeiros”.

18. Tal é a manipulação nesses mercados, que, apesar das dezenas de trilhões de dólares criados do nada , o preço do ouro permanece no patamar em que terminou o ano de 2011 (US$ 1.650 por onça), depois de haver atingido naquele ano o pico de quase US$ 2.000.

19.  O  jornalista financeiro Evans-Pritchard publicou artigo no The Telegraph, de Londres (13.01.2013), em que diz estar o  mundo caminhando para um padrão-ouro de fato, no qual o metal teria peso comparável ao do dólar e do euro. Não cogita da moeda chinesa e de outras com potencial de solidez.

20. Ele se baseia  no relatório “GFMS Gold Survey for 2012”, segundo o qual os bancos centrais compraram mais ouro em 2012 do que em qualquer tempo, por quase meio século, aumentando suas reservas em 536 toneladas.

21. Como ele recorda, os bancos centrais de países da órbita anglo-americana (Reino Unido, Espanha, Holanda, Suíça e outros) firmaram,  há anos, o acordo de Wahington, comprometendo-se  a regularmente fazer vendas de  ouro, sustentando as moedas inflacionadas (dólares principalmente).

nazi-fascimo: por que o Brasil,

riquíssimo em ouro, não toma

providências urgentes, nacionalizando

essa riqueza, afastando esse

perigo político da América

do Sul e do mundo?

22. Nessas operações – especialmente o Banco da Inglaterra – tiveram enorme prejuízo, pois o preço do ouro aumentou de US$ 300 em 2003 para o atual nível, superior a US$ 1.600.

23. Outro sinal foi a decisão do parlamento da Alemanha  de trazer ao país seus estoques de ouro guardados nos EUA e na França, havendo dúvidas sobre se os EUA ainda têm o que oficialmente consta.

24. Há enorme potencial para as compras principalmente pela  China, que teria o projeto de elevar suas reservas de ouro para 2% de suas reservas totais.

25. Isso ainda é muito pouco  já que o dólar e o euro não têm condições de justificar o otimismo, do ponto de vista do cartel dos bancos,  de que essas duas moedas permaneçam como as principais divisas mundiais.

26. A dívida pública e o déficit federal dos EUA, depois de ultrapassarem o PIB desse país, com montantes acima de US$ 16 trilhões, continuarão sendo financiados com emissões de moeda e de títulos públicos, os quais estão perdendo adquirentes, salvo o  Federal Reserve.

27. A China detém algo próximo a 1,2 trilhões desses títulos, mas, há  um ano, esse montante era maior, e ele só representa um terço das reservas totais, enquanto o Japão chegou a quase aquele valor,  que, no caso dele, representa mais de 90% de suas reservas. A meta da Rússia é aumentar a reserva de ouro para  10% das totais, hoje  da ordem de US$ 560 bilhões.

Adriano Benayon

Doutor em economia e autor do livro

“Globalização versus Desenvolvimento”

Fonte: Independência SulAmericana

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