ABSURDO: Matriz Curricular única do PR (SEED)


Estamos ferindo a lei federal sem qualquer discussão? Quanta democracia! Quanta decisão coletiva! Antes ao menos existia alguma via de discussão, mesmo que com representantes da classe.

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Quanto discurso na proposta de unificação da matriz curricular do Paraná! E quanta incoerência! Diz-se que há necessidade desta unificação uma vez que o aluno ao trocar de escola sofre com as diferentes grades curriculares e tem que ficar fazendo adaptações. Mas o que não foi falado é que esta diferença fica  ainda mais gritante com a nova proposta, quando a mesma escola tem duas matrizes: uma para o noturno e outra para o diurno! Ou seja, que discurso vazio!

               Além disso, o retrocesso é evidente! A quanto tempo a discussão sobre a hierarquia de disciplinas ganhou espaço! A quanto tempo a igualdade entre as áreas do conhecimento tenta ser debatida! Logicamente para os leigos a proposta do governo até parece ter lógica, uma vez que nossos alunos têm sérios problemas no domínio da língua e no raciocínio lógico-matemático. Hoje (20/11/2012) no jornal da manhã a Superintendente da Educação da SEED/PR afirmou que com o resultado do IDEB ficou evidente que nosso maior problema está em Língua Portuguesa e Matemática. Realmente não é mentira, porém, anteriormente as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática já tinham um espaço maior na grade, porém, nem por isso os alunos tinham melhor desempenho! Engraçado, não?! Além disso, o ensino médio noturno precisa menos da Língua Portuguesa? Pois a proposta não tem a mesma carga horária para o ensino médio diurno e noturno. Realmente este déficit deve ser debatido e precisa de ações para seu enfrentamento. Porém, vamos lembrar o que propõem nossas Diretrizes Curriculares Estaduais, estas sim, debatidas pelo coletivo escolar… Nossas DCEs, aprovadas junto ao CEE anunciam:

 É preciso, também, ultrapassar a ideia e a prática da divisão do objeto didático pelas quais os conteúdos disciplinares são decididos e selecionados fora da escola, por outros agentes sociais. Quanto aos envolvidos no ambiente escolar, sobretudo aos professores, caberia apenas refletir e decidir sobre as técnicas de ensino” (PARANÁ, 2008, P. 24).

               Vejamos que ironia! Um documento que é síntese de uma política de Estado está sendo negada na maior “cara dura”!!! Ganhamos duas novas disciplinas, que ninguém sabe de onde surgiram porque pessoas de gabinete decidiram. Embora, tenham a cara de pau de falar que houve uma “ampla discussão entre professores e alunos”. Companheiros, alguém de vocês foi realmente consultado?

       Existem mais afirmações presentes nas DCEs que precisam ser lembradas:

Os estudos sobre a história da produção do conhecimento, seus métodos e determinantes políticos, econômicos, sociais e ideológicos, relacionados com a história das disciplinas escolares e as teorias da aprendizagem, possibilitam uma fundamentação para o professor em discussões curriculares mais aprofundadas e alteram sua prática pedagógica.

Nessa práxis, os professores participam ativamente da constante construção curricular e se fundamentam para organizar o trabalho pedagógico a partir dos conteúdos estruturantes de sua disciplina. Entende-se por conteúdos estruturantes os conhecimentos de grande amplitude, conceitos, teorias ou práticas, que identificam e organizam os campos de estudos de uma disciplina escolar, considerados fundamentais para a compreensão de seu objeto de estudo/ensino. Esses conteúdos são selecionados a partir de uma análise histórica da ciência de referência (quando for o caso) e da disciplina escolar, sendo trazidos para a escola para serem socializados, apropriados pelos alunos, por meio das metodologias críticas de ensino-aprendizagem (PARANÁ, 2008, P. 25).

               Afirma-se acima que as disciplinas têm áreas, campos de estudo que os conteúdos estruturantes devem dar conta de trabalhar. Assim, perguntamos: produção de texto não é campo da Língua Portuguesa? E os tópicos da Matemática (que ninguém conseguiu nos explicar sobre o que se trata) não seriam conteúdos da Matemática? Desculpem-nos a ignorância, mas se eu tenho uma disciplina de produção de texto, estou afirmando que a Língua Portuguesa volta ao “gramatiquez”???

        Vejamos, mais uma vez o que as DCEs afirmam:

Em contraposição a essa perspectiva, nestas diretrizes, propõe-se que esses temas sejam abordados pelas disciplinas que lhes são afins, de forma contextualizada, articulados com os respectivos objetos de estudo dessas disciplinas e sob o rigor de seus referenciais teórico-conceituais (PARANÁ, 2008, p.26).

             Olhem a evidência: os desafios e demandas não são negados, mas devem receber tratamento e discussão em suas disciplinas afins. Assim, essas “novas disciplinas” propostas não têm lógica! Parecem uma forma de “cursinho” para o IDEB. A opção feita pelos professores da rede estadual de ensino do Paraná que está descrita na DCE aponta que:

Desta perspectiva, estabelecer relações interdisciplinares não é uma tarefa que se reduz a uma readequação metodológica curricular, como foi entendido, no passado, pela pedagogia dos projetos. A interdisciplinaridade é uma questão epistemológica e está na abordagem teórica e conceitual dada ao conteúdo em estudo, concretizando-se na articulação das disciplinas cujos conceitos, teorias e práticas enriquecem a compreensão desse conteúdo (PARANÁ, 2008, p.28).

               Fica evidente que a produção de texto aparece em todas as disciplinas, sendo resultado da articulação necessária para a compreensão de todos os conteúdos. Em defesa desta interdisciplinaridade, como natureza do conhecimento contextualizado, não se pode defender uma opção de fragmentação da produção textual como disciplina.

               Vale lembrar aos desavisados e alienados que existe uma nova Diretriz Curricular do Ensino Médio, Resolução nº 02 de 30 de janeiro de 2012, mas os princípios lá descritos parecem não terem sido compreendidos pelo atual governo do Paraná.

Olhem o que traz o artigo 16: “IV – valorização da leitura e da produção escrita em todos os campos do saber”.

Quer uma afirmação mais categórica para comprovar que esta disciplina inventada pela SEED/PR é um grande elefante branco?!

               Cabe aqui mais uma reflexão que até agora não vimos ninguém apontando: como fica o Ensino Médio organizado por Blocos? Nada falou-se… coincidência ou intencional? As escolas puderam escolher em manter os blocos e qual a proposta de matriz curricular para estas?

               Ademais, qual é a intenção em ter duas aulas semanais por um ano? Realmente isso é ensino de qualidade? Não compreendemos o que os alunos irão aprender sobre a Língua Espanhola em “aulas relâmpago” dadas no último ano do Ensino Médio. E a opção da escolha da Língua Estrangeira Moderna pela comunidade? Estamos ferindo a lei federal sem qualquer discussão? Quanta democracia! Quanta decisão coletiva! Antes ao menos existia alguma via de discussão, mesmo que com representantes da classe.

               E o ensino fundamental? Em nome da alfabetização que não ocorre nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nós da rede estadual abraçamos à causa! Por isso, aumentamos a Língua Portuguesa. O mesmo ocorre na Matemática. Quando pensaremos em educação pública de qualidade independente de quem é o representante legal disso (Estado ou Município)?! Como consequência perdem-se aulas de Educação Física, História e Geografia, qual a lógica para dizer que estas ciências de referência são menos importantes?

               Nem chegamos a falar sobre o desperdício do dinheiro público, pois acabamos de receber livros didáticos para os três anos do ensino médio e agora as disciplinas que aparecerão em um ano. Vão dizer que os alunos podem levar para casa e fazer sozinhos “estudos de aprofundamento”, assim como o projeto AMPARE propõe? Quanta enganação! De que alunos estamos falando?

               Diante destes apontamos esperamos que os professores se posicionem! Vamos a luta! Temos que perceber que somos uma categoria, vivemos, estudamos, respiramos a escola e por isso sabemos o que é melhor para o cumprimento de sua função social. Digamos não a esta proposta de gabinete! Queremos a discussão e a elaboração da melhor forma de agir! Caso contrário, está na hora deste “estado de greve” despertar! Não há como começar o ano letivo de 2013 com esta proposta! Lembrem-se de escrever para a APP para a SEED. Dia 27/11 vamos nos mobilizar e queremos uma solução coletiva para isso! Vamos colocar isto em evidência na pauta. Não temos que aceitar isso!!!!

 Cordialmente espero que compreendam que a escola pública perde com isso,

 Paulla Helena Silva de Carvalho – Pedagoga da Rede Estadual de Ensino do Paraná

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Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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