Clarin montou campanha para desinformar e manipular a opinião sobre a lei dos meios


STELLA CALLONI*

O procurador geral da nação, Daniel Reposo, acusou o jornal Clarín de “continuar mentindo” e “montar uma campanha de difamação sobre os organismos de controle de nosso país”, em referência a uma nota publicada recentemente pelo periódico de maior circulação na Argentina, na que advertia sobre uma suposta “política de desmantelamento” da imprensa.

Fonte: Hora do Povo

O funcionário emitiu um comunicado advertindo que a nota em questão “carece de rigor jornalístico, não cumpre com um dos fundamentos da imprensa que é o de checar a informação, sequer chamando os protagonistas e/ou organismos dos quais se vai informar à sociedade para dar oportunidade de resposta e esclarecimento. Definitivamente, a nota responde a um interesse de desinformar e deixar instalados conceitos equivocados para manipular a opinião pública”.

Além disso, Reposo assegura no texto que as ações realizadas pelo organismo sob sua responsabilidade, a Unidade de Informação Financeira, a Oficina Anticorrupção, Defesa da Concorrência, Defesa do Consumidor, a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA ) e a Comissão Nacional de Valores permitiram “investigar e conhecer as irregularidades cometidas pelo Grupo Clarín e por suas empresas controladas: Papel Prensa e Cablevisión e denunciar as práticas monopólicas, irregularidades e desfalques cometidos durante várias gestões governamentais”.

O Grupo Clarín “violou sistematicamente com seus atos as normas republicanas, antepondo seus interesses corporativos às regras que impõe a democracia com a única finalidade de acrescentar seu poderio econômico e impor sua política sobre os poderes constituídos democraticamente”.

Para alcançar estes objetivos esse grupo trabalha gerando “uma comunicação daninha e mentirosa, vilipendiando as instituições e semeando terror à sociedade através de sua cadeia de canais, emissoras, agências de notícias, sites de Internet e seus jornais disseminados por todo o país”.

Porém adverte que “a partir de 7 de dezembro deverão adequar-se às leis emanadas pelos representantes do povo e das províncias e respeitar as normas de ética jornalística que garantem a liberdade de imprensa em nosso país”.

Esse dia entrará em vigor a lei de meios que busca desmonopolizar o setor, a qual se opõe o grupo Clarín, que tomou ilegalmente o controle de Papel Prensa, a empresa argentina dedicada à produção de papel para o setor, durante a última ditadura militar (1976-1983). O proprietário original de Papel Prensa era o banqueiro David Graiver, que desapareceu em um suspeito acidente de aviação no México em 1976, atribuído à Agência Central de Inteligência estadunidense. Sua esposa e vários familiares foram detidos aqui e torturados pelos militares argentinos. A assinatura da venda ocorreu em circunstâncias em que estes familiares se encontravam sob controle militar. As direções do Clarín e La Nación inauguraram, com o ditador Jorge Rafael Videla em 1977, o nascimento desta nova empresa, que exerce um controle arbitrário do papel jornal, afetando a possibilidade do surgimento de novos meios de comunicação.

Por seu lado, o dirigente da AFSCA, Martín Sabatella desmentiu enfaticamente que o objetivo desta entidade seja o de controlar linhas editoriais, e também denunciou tergiversações dos grupos midiáticos concentrados. “Existe uma campanha apresentada para colocar a lei de meios como uma ferramenta para controlar linhas editoriais, jornalistas ou programas”, afirmou Sabatella, que se declarou “surpreso pelo nível de tergiversação, de má-fé, de má intenção na informação que se apresentou”.

Sabatella, dirigente do centro-esquerdista Novo Encontro, uma figura política muito respeitada por todos os setores, depois de ter passado pela municipalidade de Morón, na área metropolitana de Buenos Aires, onde lutou com êxito contra a corrupção, tem sido duramente atacado nas últimas semanas e inclusive Elisa Carrió, da opositora Coalizão Cívica, o qualificou de “stalinista”.

Assim mesmo, Sabatella denunciou a estratégia dos grupos midiáticos concentrados de querer apresentar a lei “como algo que cerceia a liberdade de expressão”.

Os meios de oposição têm dito que a AFSCA “poderia controlar editorialmente a mídia”, porém Sabatella disse que a única coisa que o organismo fará é vigiar o cumprimento da lei 26.522, “garantindo a liberdade de expressão e a pluralidade de vozes”.

Estudantes de Comunicação de vários centros universitários do país apresentarão uma investigação onde demonstram todas as mentiras e distorções, assim como As mensagens de terror e amedrontamento utilizadas pelos vários meios de comunicação “que não querem abrir mão do enorme e injusto poder de tantos anos”. A investigação tem uma importante sustentação documental, e propõem que “dê a volta ao mundo” para que todos os povos entendam “as manipulações que nos paralisam”, disseram os jovens diretores do projeto.

*Artigo originalmente publicado no La Jornada

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