JB e sua opinião sobre o #PT


José Dirceu tem um Projeto de Nação, Joaquim Barbosa um Projeto de Poder Pessoal.

O nome dele ganhava força dentro do partido e nas rodas sociais de Brasília como possível indicado ao Supremo.

“Ele se formou na UnB, tinha uma rede de contatos à esquerda. Não se tratava de lobby, era uma coisa mais despojada”,

diz Vera Lúcia Santana Araújo, advogada que também se entusiasmou com a campanha.

Joaquim queria muito ser ministro. Assim que soube que Lula pretendia nomear um negro para o STF, Joaquim ligou ao colega de Ministério Público Federal, Aristides Junqueira, ex-procurador-geral da República.

“Ele me ligou dos Estados Unidos e disse: ‘Olha, parece que o presidente da República quer nomear um negro para o STF’. Eu respondi de pronto: ‘Vamos em frente’”,

diz Junqueira. Foi então que Joaquim buscou a ajuda de Kakay. Queria se apresentar a José – etapa necessária para o sonho do Supremo. O encontro aconteceu em abril de 2003, no restaurante Piantella (,,,).

“Os dois são muito formais. Então, o encontro foi protocolar”, diz o intermediário Kakay. “O Zé falou para o Barbosa: ‘Se o currículo do senhor for bom, o senhor será indicado. E quem indica é o presidente Lula’. E ainda criticou o atual sistema de indicação para o STF, em que os potenciais indicados tinham de procurar ministros de Estado para pedir ajuda.”

José gostou de Joaquim.
E encaminhou a indicação ao Senado. Está no papel: no dia 7 de maio de 2003, num despacho oficial assinado por José Dirceu de Oliveira e Silva, ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República:

“A sua excelência, o Senhor Senador Romeu Tuma. Encaminho a essa Secretaria mensagem na qual o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração dessa Casa o nome do Senhor Joaquim Benedito Barbosa Gomes para exercer o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal”.

O protocolo da indicação estava encaminhado. Duas semanas depois, na sabatina do Senado para referendar sua indicação, Joaquim foi instado a falar o que achava do PT. Mostrou sua simpatia:

“A meu ver, a eleição do presidente Lula configura, talvez, o nosso primeiro caso de real alternância de poder. Falei também (anteriormente) sobre a especificidade do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de um partido com uma configuração social-democrata no estilo europeu. É um partido que não renega o modo de produção capitalista, mas tem a preocupação profunda de combater, de corrigir as mazelas do sistema capitalista, de implantar algum tipo de proteção de salvaguarda social”.

Estava feito: José ajudara Joaquim a chegar ao topo.

Fonte: uma revistícula de Época

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Joaquim Barbosa se apresentando no Senado pela indicação do presidente Lula.

“Imediatamente após a graduação na UnB, prestei concurso para a
pós-graduação, para o mestrado da própria Universidade, um mestrado
longo, de dois anos e meio, que concluí em meados de 1982. Mestrado
em Direito do Estado, cuja dissertação não concluí, à mingua de tempo
para escrever a tese.

Mas, seis anos depois, retomei os estudos universitários, desta feita já como Procurador da República e com uma generosa autorização do Dr. Sepúlveda Pertence, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal, na época, Procurador-Geral da República, que me autorizou a ausentar-me do País para cumprir essa jornada de estudos na França, país com o qual desde a adolescência tenho vínculos intelectuais sólidos.

Fui para a França em 1998, cumpri esse programa de pós-graduação
bastante longo, onde obtive três diplomas de pós-graduação. O primeiro
deles introdutório a um curso de doutorado previsto para alunos estrangeiros, uma espécie de introdução ao sistema jurídico francês.

No ano seguinte, ingressei num curso que chamaria de um mergulho nas instituições e no Direito francês, como se francês fosse, um estudo das instituições francesas, como se eu tivesse como objetivo ali permanecer, embora esse nunca tenha sido o meu intuito”.pág 12

“Em 1973, ganhei na loteria. Fui simplesmente convidado a ingressar no Serviço Gráfico do Senado Federal, onde passei três anos maravilhosos da minha vida, trabalhando de vinte e três a seis horas da manhã para, depois, logo em seguida, freqüentar a Universidade de Brasília. Esse trabalho teve uma importância fundamental na minha formação. Com dezenove anos, tive o privilégio de fazer um trabalho que consistia em compor os diários desta Casa, do Senado Federal.”

(…)

“Prestei concurso para o Itamaraty, para oficial de chancelaria, e me transferi para lá, em 1976. Logo em seguida, o Itamaraty me propiciou a possibilidade de fazer a minha primeira viagem internacional, que, certamente, foi um divisor de águas na minha vida.” (…)pag.15

(…)”Em segundo lugar, agradeço imensamente a generosidade das palavras proferidas aqui a meu respeito pelos Senadores Demóstenes Torres, Antonio Carlos Magalhães e Pedro Simon. É uma honra receber de V. Exas palavras tão elogiosas”. pág. 24

(…) “Estrépito midiático este provocado pelo fato de eu ser uma pessoa negra. Assumo e carrego esse fardo em razão do ineditismo da indicação, mas com a esperança de que, nos próximos dez ou quinze anos, uma indicação como esta seja uma coisa banal”. pág.26

Fonte: Transcrição da Sabatina no Senado 

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Me causou estranheza em seu discurso, no Senado,  que o nome dos dois primeiros afrodescendentes da história do Brasil no STF não tenham sido mencionados pelo sabatinado,

Embora Tião Vianna PT/AC tenha feito referência:

“Dois mineiros de sua lavra que honraram a história dessa instituição: Hermenegildo Barros e Pedro Lessa foram consagrados mulatos, presentes na Corte brasileira. Há, inclusive, um busto de Pedro Lessa, uma homenagem dos próprios advogados brasileiros, na entrada do prédio do Supremo Tribunal Federal”. Pág.31

1º Ministro do STF foi Pedro Lessa:

Em decreto de 26 de outubro de 1907, do Presidente Afonso Pena, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, preenchendo a vaga ocorrida com a aposentadoria de Lúcio de Mendonça. Tomou posse em 20 de novembro seguinte.

Seus votos e manifestações no mais alto tribunal do país foram sempre brilhantes fontes de ciência jurídica, contribuindo para a interpretação da Constituição, destacando-se os que permitiram construir a famosa teoria brasileira do habeas corpus, que veio a culminar com o mandado de segurança.

Foi eleito para a ABL na cadeira número 11.

2º Ministro do STF foi Hermenegildo Rodrigues de Barros

Nunca faltou as sessões do STF. Não compareceu ao casamento da filha porque foi marcado para a mesma hora da sessão do STF.

Em sua gestão foi instalado, sob sua presidência, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, em 20 de maio de 1932; foi indicado presidente efetivo da Constituinte de 1934.

Foi voto favorável à extradição de Olga Benário

(—> Encontrei a explicação do Ministro Joaquim Barbosa sobre meu estranhamento, abaixo)

Festejando sua indicação, Barbosa Gomes foi o primeiro a reconhecer o simbolismo de sua ascensão.

“Vejo como um ato de grande significação que sinaliza para a sociedade o fim de certas barreiras visíveis e invisíveis”,

disse.

“Posso vir a ser o primeiro ministro reconhecidamente negro”,

completou.

(E eu pensando sobre o que é —> “reconhecidamente negro”

Esta parte em itálico, me deixou em dúvida se faz parte da fala de JB ou do autor do texto):

Isso porque, na história do STF, já houve dois negros – um mulato escuro, Hermenegildo de Barros, ministro de 1919 até a aposentadoria, em 1937, e outro mulato claro, Pedro Lessa, ministro de 1907 até sua morte, em 1921. Ambos nasceram no interior de Minas Gerais, como Barbosa Gomes, mas nenhum era “reconhecidamente negro” nem de origem tão humilde – o que empresta à indicação de agora um simbolismo ao mesmo tempo étnico e social.

Fonte: revista de fofocas, segundo jornal inglês

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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