Serra é agraciado com a segunda derrota nas eleições em 2 anos


Com rejeição recorde do eleitorado, de mais de 50%, o tucano foi abatido e nem julgamento do STF e baixarias lhe ajudaram 

por Carlos Lopes

O segundo turno das eleições municipais teve seu fim com o golpismo privatista comendo grama, isto é, com Serra disputando com as abstenções mais votos brancos e nulos, quem seria o segundo lugar na maior cidade do país – na qual os tucanos (diretamente ou através do operoso Kassab) detinham a Prefeitura há oito anos. Não adiantou o esforço dos institutos de pesquisa, e a mídia, para escalarem os participantes do segundo turno e facilitar a vitória do seu candidato.

Para que não haja dúvida sobre os fatos, é forçoso ressaltar que, por pouco, Serra não perde também para esse adversário: aqueles que não foram votar, ou votaram em branco, ou votaram nulo, em São Paulo, foram 29,27% do eleitorado (em termos absolutos: 2 milhões, 522 mil e 682 eleitores). A votação de Serra foi 31,43% do eleitorado (2 milhões, 708 mil e 768 votos). Quase um empate, em que o último candidato ficou acima das abstenções, votos em branco ou nulos, apenas 2,16% (uma diferença de 186.086 votos, num eleitorado total de 8.619.170) e 69% (em termos mais exatos, 68,57%) do eleitorado – 30 pontos mais que a votação de Haddad, ou seja, 6 milhões de eleitores – rejeitaram Serra.

É justo, também, observar que a votação de Serra no domingo significa uma queda de 718.903 votos em relação à votação que ele teve, na cidade de São Paulo, no segundo turno das eleições de 2010 para presidente (enfrentando, portanto, uma candidata mais forte que Haddad: a presidente Dilma Rousseff). Essa queda é, também, equivalente a 12% dos votos válidos apurados no domingo.

A que se deve esse desempenho sofrível – mais medíocre do que sofrível – de um candidato que era, desde o retiro asilar de Fernando Henrique, a principal figura do principal partido da oposição, duas vezes candidato a presidente, e, antes, senador, ministro, prefeito e governador do Estado economicamente mais importante do país, cargos que, invariavelmente, deslustrou?

Serra demonstrou, nessa eleição, sobretudo no fim, uma quase total falta de controle – exibindo seu autoritarismo mussoliniano, sem travas, na TV e na rua. Mas não foi por isso que perdeu a eleição; ao contrário, não conseguia se controlar porque sabia que estava perdendo.

Talvez o sujeito tenha de ser maluco para ser candidato logo depois de lançada, e ainda sendo best-seller, uma arrasadora consolidação dos seus malfeitos, tão insofismável quanto o livro de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana“. Publicamos, há alguns meses, vários trechos do livro, embora, com exceção de uma, todas as denúncias, fatos e demonstrações ali expostos já tivessem aparecido anteriormente aqui no HP. Mas isso nada tira do mérito e da força do livro, que está, além da consolidação em si (ou seja, em reunir num único local um vasto material disperso, o que não é nada fácil), precisamente, em abordar os atos de Serra, durante o niágara de privatizações do governo Fernando Henrique, sob um ângulo mais policial do que político. O resultado é politicamente – e policialmente – devastador.

Dito de outra forma: é preciso uma dose de cinismo razoável para se lançar candidato, depois de aparecer um livro com esse grau de clareza e profundidade, indicando os crimes, os criminosos e o criminoso. Maior dose ainda é preciso, com esse telhado de vidro, para atacar o governo e os candidatos da base do governo com a farsa do “mensalão”. E nem vamos falar de suas explicações sobre o por quê de ter abandonado a Prefeitura em 2006, depois de jurar, e até passar papel em cartório, que de lá não sairia, nem se o Pacaembu voasse em direção ao mar.

Não é uma boa coisa que Haddad tenha passado ao largo dos fatos, agora de amplo conhecimento público, que estão no livro de Amaury Ribeiro Jr., preferindo opor ao suposto – e falso – “mensalão do PT”, levantado por Serra, o dinheiroduto de Azeredo em Minas, do qual o primeiro seria apenas uma “cópia” (sic) do segundo.

Não é uma boa coisa porque não é verdade.

A drenagem de dinheiro público no governo tucano de Azeredo é um fato; no caso das acusações contra dirigentes do PT, exceto o corriqueiro caixa dois de campanha, nada há que não seja uma impostura. Portanto, não houve “cópia” alguma – e nada poderá apagar ou pintar de dourado a injustiça flagrante perpetrada contra José Dirceu, José Genoino e outros cidadãos, sem que prova alguma tenha aparecido contra eles. O que o caso demanda é a correção do esbulho, não o seu embelezamento.

A questão é que o único tema de campanha da reação, nessas eleições – com o prestimoso auxílio de alguns pequenos dinossauros ideológicos que, sabe-se lá como, chegaram a ministros do STF – era essa armação fraudulenta, que, realmente, lembra os nazistas (deve ser por isso que a maioria do STF seguiu uma teoria nazista para condenar os acusados: para que serviria uma teoria jurídica nazista, senão para coonestar armações fraudulentas nazistas?).

No entanto, não deu certo. Como poderia dar, se a mídia golpista só consegue mostrar a borduna para o povo – de forma tão escancarada, tão grosseira, tão estúpida, que logo qualquer sujeito mais ou menos normal percebe que há algo estranho? Ocupar 18 minutos do Jornal Nacional com ataques ao PT, logo antes do horário eleitoral do partido, não é a forma mais sutil de fazer propaganda ilegal, insidiosa e difamatória. Já se sabe que o povo não é besta – e somente cretinos como o sr. Ali Kamel, promovido a diretor de jornalismo da Globo no último dia 19 de setembro, acham que podem provocá-lo sem consequências. Com isso – a ostensiva manipulação da farsa do mensalão, tão ostensiva a ponto de quase ninguém, mesmo aqueles que erradamente acreditaram na farsa, ter dúvida de que se trata de uma manipulação eleitoreira – ajudaram Serra a se afundar em seu mangue político. Quem é que gosta de perceber que estão tentando manipulá-lo?

O golpe da farsa do “mensalão”, agora em fase jurídica, fracassou outra vez: conseguiram condenar alguns inocentes, mas ao preço de revelar que aqueles que no STF foram cúmplices, estavam interessados em banhar-se na luz dos refletores dessa mídia, não em fazer justiça. Talvez por perceber confusamente o quanto estavam expostos, acabaram induzidos a exibir sua truculência na TV, e nenhuma encenação é mais ridícula na TV, ou mais indignante, que a da truculência, sobretudo quando ela não tem força para ser sustentada – é, quase apenas que tão somente, desejo.

Pior ainda foi a própria mídia – da “Veja” até a Globo, passando pela “Folha” e outras piranhas que seguem os tubarões. Sim, leitor, nós sabemos: peixes de rio não seguem peixes do mar; é que a outra imagem que nos passou pela cabeça era demasiado pouco familiar…

CARLOS LOPES

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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