Getúlio Vargas por Santayana e Samuel Pinheiro Guimarães


“58 anos sem Getúlio Vargas” foi o tema do programa Contracorrente, da TV Cidade Livre de Brasília, no qual o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães , ex-Ministro de Assuntos Estratégicos do Governo Lula e o Jornalista Mauro Santayanna refletiram sobre o papel histórico do mandatário que nos deixou num dia  24 de agosto , mas deixando uma obra que, até hoje, tem uma marca de atualidade e chega mesmo a interferir positivamente na conjuntura política brasileira atual.

 

Fotos: Memorial Getúlio Vargas

 

Para Samuel Pinheiro Guimarães uma das provas de que houve permanentemente uma preocupação dos setores dominantes em desconstruir a imagem da popularidade de Vargas é a rara divulgação das fotos sobre a gigantesca marcha de milhões de brasileiros no Rio de Janeiro que levou o corpo do ex-mandatário do Palácio do Catete até o aeroporto Santos Dumont. 

“Houve sempre uma conspiração dos segmentos oligárquicos da sociedade, entre eles os da mídia, para que fosse totalmente apagada e adulterada a imagem real de Vargas como um presidente apoiado fortemente pelas massas populares” declarou.

Santayanna,  que estava presente nesta  imensa manifestação relatou que os militares ligados à Aeronautica,  maior protagonista operativo da conspiração para derrubar Vargas,  atiraram diversas vezes contra a multidão para intimidá-la.

“Primeiro, eram tiros de festim, depois balas de verdade. Lembro que um trabalhador negro que caminhava ao meu lado, com a capa do jornal Última Hora no peito, levou um tiro e morreu na hora. Apesar disso, a marcha continuou, e o corpo  de Vargas  foi levado até o aeroporto para ser embarcado para São Borja” disse.

Resistência ao golpe

Santayanna também revelou ao Programa Contracorrente que, no dia 12 de agosto, portanto 12 dias antes da morte de Vargas, o presidente foi a Belo Horizonte para inaugurar as instalações da Manesmann, oportunidade em que Juscelino Kubstchek,  então governador mineiro, e  Tancredo Neves, então Ministro da Justiça, tentaram propor a Getúlio uma manobra de resistência ao golpe de direita que já estava em marcha.

“JK e Tancredo propuseram a Vargas transferir a  capital para Belo Horizonte e a partir dali organizar uma resistência livre da pressão da República do Galeão, onde a Aeronáutica comandava articulações para exigir a deposição do presidente. JK  me confidenciou ter sentido Vargas já meio resignado e, aos 71 anos de idade,   sem disposição para uma luta de resistência”  relatou.

Aliás, o jornalista também lembrou que antes de tomar posse Vargas já havia dito à imprensa que acreditava  que dificilmente chegaria ao final de seu mandato.

Morrer por uma boa causa

Mauro Santayana também revelou  ao Programa  o relato de Tancredo Neves, sobre a reunião ministerial com Vargas que só terminou na madrugada do dia 24 de agosto de 1954,  oportunidade em que havia proposto ao presidente uma ação militar, com os dispositivos militares que eram leais ao presidente, para defender o mandato presidencial, prendendo a cúpula golpista e  convocando também a população para defender a legalidade. Diante da proposta de Tancredo, que Vargas ouvira com atenção, segundo o relato do ex-presidente mineiro,  o Ministro do Exército, General Zenóbio,  demonstrou vacilação  e pouco empenho de lutar em defesa da legalidade, alegando ainda que  a ação poderia resultar em mortes. Foi quando ocorreu o ponto mais tenso da reunião pois Tancredo, diante da postura fraquejante  de Zenóbio declarou:  

“General, morrer todos vamos um dia. Existem poucas oportunidades na história e na vida de morrer por uma boa causa. Esta é uma delas, Não a desperdicemos”,  declarara Tancredo,

seguindo-se ainda um momento de forte tensão quando a filha de Vargas, Alzira Vargas, de dedo em riste chamou o general Zenóbio de covarde e traidor, pois já circulavam rumores de que ele já fazia planos para participar do governo do vice presidente, Café Filho.

Atualidade

A atualidade de muitas das medidas adotadas por Getúlio Vargas também foram destacadas pelos dois convidados do programa Contracorrente.  Santayanna citou o empenho da nacionalização dos setores importantes da economia levada adiante pelo governo Vargas como um tema que ainda hoje é central para o País. Quando foi mencionado a intenção manifesta  e declarada de Fernando Henrique Cardoso  de  acabar com a Era Vargas”,  e lembrado que até mesmo o ex-presidente Lula , que no passado havia feito declarações duras contra Vargas, durante sua gestão retificara aquelas declarações, criando por decreto a Semana Vargas, e afirmando que o gaúcho teria sido o maior presidente que o Brasil (obras) tivera, Mauro Santayanna afirmou que o legado de Vargas  “é  ainda a nossa esperança” .

Para Samuel Pinheiro Guimarães o aspecto mais atual da Carta Testamento de Vargas é o que toca na questão do capital estrangeiro.

“A conspiração contra Vargas sempre foi permanente, seja pelos agentes dos trustes estrangeiros, seja pelas oligarquias nacionais. Mas, quando Vargas assinou o decreto para controlar a remessa de lucros ao exterior, a situação se tornou intolerável”,  

lembrou, acrescentando que Getúlio havia tomado medidas muito corajosas que afetavam os privilégios da oligarquia, como quando criou o Departamento Nacional do Café.

 CLT e Voz do Brasil

Os dois convidados do Contracorrente concordaram que  houve sempre um esforço para criar no imaginário popular  uma versão negativa de Vargas, No entanto, apesar de toda esta articulação conservadora, ainda hoje, esforços continuam sendo feitos para  continuar a linha de demolição  da Era Vargas. Basta   citar apenas dois temas que confirmam a atualidade do varguismo:  ainda hoje o Senador Paulo Paim continua denunciando, juntamente com o movimento sindical, as articulações dos empresários  para flexibilizar os direitos trabalhistas inscritos na CLT. O outro exemplo, é a decisão dos magnatas da mídia brasileira em flexibilizar, para  facilitar a extinção,  o horário de veiculação  do programa radiofônico a Voz do Brasil,  – criado na Era Vargas  –   única experiência de regulamentação  informativa que assegura à grande massa da população, ainda hoje proibida praticamente da leitura de jornais e revistas,  o  acesso a informações objetivas  sobre os trabalhos do Executivo, do Legislativo, e do Judiciário, sem o crivo editorial dos anunciantes.

Beto Almeida

Membro da Junta Diretiva da Telesur

 

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
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2 respostas para Getúlio Vargas por Santayana e Samuel Pinheiro Guimarães

  1. Regina Maria disse:

    TEm o video do programa?

  2. Pingback: Getúlio Vargas por Santayana e Samuel Pinheiro Guimarães « Web Potiguar

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