Argélia: Ben Bella um eterno revolucionário!


O primeiro presidente da Argélia independente (1963-1965) Ahmed Ben Bella, faleceu em 11 de abril de 2012 aos 96 anos. No momento de sua morte, apresentamos novamente a entrevista que nos concedeu em Genebra em 16 de abril de 2006.

Ahmed Ben Bella é uma das maiores personalidades do nacionalismo árabe. Foi um dos nove membros do comitê Revolucionário Argelino que deu lugar a criação da Frente de Liberação Nacional (FLN). Consegue escapar depois de ter sido preso, em 1952, pelos ocupantes franceses. novamente preso em 1956, com mais cinco companheiros de luta, é detido na prisão de Santé, na França, até 1952. Após acordo de Evian, se converte no primeiro presidente eleito da Argélia independente.

Adota um política socialista que se caracteriza pelo vasto programa de reforma agrária. No plano internacional, incorpora a Argélia na ONU e a inclui no Movimento de Países Não-alinhados. Sua crescente influência na luta contra o imperialismo leva as grandes potências a apoiarem sua destituição mediante um golpe de Estado militar. Decretam prisão domiciliar de 1965 a 1980. Desde então se manteve a margem dos assuntos internos de seu país mas segue desempenhando um papel internacional, por exemplo como presidente da Campanha Internacional contra à agressão ao Iraque.

Enquanto ocorrem insanos debates sobre os aspectos positivos da colonização e a responsabilidadedos árabes no estancamento de suas sociedades ocorrem na França, o presidente Ahmed Ben Bella recorda várias verdades históricas: o caráter legítimo do domínio de um povoo sobre outros – seja sobre a Argélia de hoje ou a Palestina de hoje – a realidade mundial – não a realidade árabe – da colonização e das lutas de libertação nacional, a ingerência ocidental a favor da destituição dos governos nacionalistas e revolucionários no Sul e a manutenção das sequelas da colonização. Ele enfatiza que, hoje, é o fundamentalismo evangélico que exporta violência. Protagonista das mudanças da história, Ahmed Ben Bella responde às perguntas de Silvia Cattori.

Silvia Cattori: Quando não está viajando mora na Suiça?

Ahmed Ben Bella: Não, moro na Argélia mas venho sempre à Suiça. Morei dez anos aqui, quando houve os problemas com o poder dos militares argelinos. Na Argélia os jornalistas me perseguem. Desta forma quando necessito um pouco de descanso e de distância do que ocorre lá, venho para cá onde mantenho meu pequeno apartamento.Tenho 90 anos!

S.C.- Parece um menino! Sabe, Senhor Ben Bella que deixou uma imagem muito bonita no coração das pessoas em todo mundo?

Ahmed Ben Bella: (risos) Tive uma vida um pouco especial. Participei na libertação do meu país. Estive entre os organizadores da luta de libertação lá. Também participei de forma ativa em todas as lutas de libertação.

S.C.- O senhor é de origem árabe marroquina. Que vínculo mantém com suas raízes rurais?

Ahmed Ben Bella: Sim, sou argelino de origem marroquina por parte de meus pais. Mas minha vida é Argélia. Ali eu nasci. Sou filho de campesinos pobres que foram viver na Argélia ainda muito jovens. Recentemente conheci o luga onde nasceram, na periferia da cidade de Marrakech.

S.C.- Vindo para cá encontrá-lo, me deu a impressão de vir ao encontro com as pessoas, os povos e as causas pelas quais lutou ao longo de sua vida. É muito emocionante conversar sobre sua luta por um mundo mais humano, mais justo. Não simboliza, o senhor, tudo isto?

Ahmed Ben Bella: Sim, minhas é uma vida de luta. Posso dizer que essa luta não cessou nem um momento, uma luta que empreendi aos 16 anos. Agora tenho 90 e minha motivação não mudou. O mesmo fervor me anima.

S.C.- Em 1962, o senhor chega as mais altas responsabilidades na Argélia independente. Se abrem todos os tipos de esperanças. Desde a Argélia colonizada até sua libertação, desde a arena política internacional até a luta altermundista, o senhor pagou caro o preço de sua negativa em submeter-se.

Ahmed Ben Bella: Sim, paguei muito caro pela justiça e pela liberdade dos povos. Mas fiz isso que senti que era o meu dever, minha obrigação. Assim que não resultou difícil, para mim, escolher. Quando me envolvi na luta pelo meu país, era muito jovem. Meus horizontes se abriram. Em seguida me dei conta de que os problemas iam muito além da Argélia, que muitos povos eram vítimas da colonização, que três quartos dos países do planeta estavam colonizados de uma ou outra maneira. Para os franceses, a Argélia era nada mais que um departamento de ultramar.

Era a França do outro lado do Mediterrâneo. A colonização francesa na Argélia durou muito: 132 anos. Participei na luta da Argélia. Em seguida, depois da independência, me uni a todos aqueles que, através do mundo, lutavam também pela libertação de seus países. Então, veio aquela fase de luta de libertação nacional na qual participei de maneira total. Em Túnis, no Marrocos, Vietnam, a Argélia havia se convertido na mãe de todas as lutas de libertação. Ajudá-los era para nós uma tarefa sagrada. Quando alguém nos pedia ajuda, era sagrado. Nem sequer pensávamos. Nós ajudávamos, mesmo quando nós mesmos tínhamos poucos recursos. Oferecíamos armas, um pouco de dinheiro e, se possível, homens.

S.C.- Em 1965, não foram os os franceses quem o encarceraram mas seus companheiros de armas. Que sente, o senhor hoje por aqueles que o prenderam e barraram o seu caminho?

Ahmed Ben Bella: Não sinto desprezo. Não sinto ódio. Penso que participaram de algo que não foi muito limpo e que foi muito prejudicial, não somente para o povo argelino como também para os demais povos que contavam com nosso apoio naquele momento. Minha luta para melhorar as condições de vida dos argelinos, imerso numa grande miséria e também minha luta para ajudar os outros povos, ainda colonizados, a recobrar sua liberdade incomodava muito a certos poderes. Do ponto de vista deles, eu estava indo longe demais. Tinha que desaparecer. O que quero dizer é que se o exército argelino não tivesse me destituído, outros o teriam feito. Eu tinha que desaparecer porque os incomodava demais. Eu proporcionava abrigo a praticamente todos os movimentos de libertação, incluindo os que vinham da América Latina.

S.C.- Já estava em contato com Fidel Castro?

Ahmed Ben Bella: Sim. Che tinha vindo à Argélia para me entregar uma mensagem de Fidel Castro, com quem havia me reunido duas vezes. Nos pediam apoio para as lutas que se desenvolviam na América do Sul, já que Cuba não podia fazê-lo devido o controle dos EUA, que ocupava a base de Guantánamo. Assim que nada, nem ninguém podia sair de Cuba, nem uma caixa de fósforos, sem que os EUA soubessem. Não vacilei um segundo. Fui da Argélia pra lá, e com a participação de Che que ficou seis meses em nosso país, que se criou o Estado Maior do exército de libertação da América do Sul. hoje posso dizer: todos os combatentes que participaram na luta de libertação da América do Sul estiveram na Argélia. Dali partiram todos os que lutavam. Demos treinamento e demos um jeito para que as armas chegassem até eles, criando redes.

S.C.- Em que ano Che foi à Argélia?

Ahmed Ben Bella: Che foi em 1963, pouco depois de minha chegada ao poder. Com meu governo nos comprometemos a fornecer nossa ajuda nas lutas pela libertação nacional. Naquele momento, numerosos países estavam colonizados ainda ou estavam saindo da colonização. Praticamente a África inteira estava nessa situação. Mandela e Amílcar Cabral também estiveram na Argélia. Eu os treinei. Depois voltaram para iniciar a luta de libertação de seus países. No caso de outros movimentos, que não estavam envolvidos em luta armada ou que apenas necessitavam apoio político, como em Mali, os ajudávamos em outros aspectos.

S.C.- Quem o afastou do poder em 1965? O exército argelino ou as forças externas?

Ahmed Ben Bella: Tenho certeza que houve, indiretamente, uma intervenção de potências estrangeiras. Vimos em outros lugares os mesmos mecanismos. Onde quer que tenha triunfado as lutas de libertação nacional se produziram, assim que o poder foi constituído, golpes de Estado militares que destituíram seus dirigentes. Ocorreram muitas vezes. Em dois anos houve 22 golpes de Estado militar, principalmente na África e no Terceiro Mundo. O golpe de Estado na Argélia, em 1965, foi o que abriu a via. Argélia não foi, portanto, mais que o princípio de que algo que já estava em andamento. Por isso digo que o sistema capitalista mundial foi o que finalmente reagiu contra nós.

S.C.- O senhor é marxista?

Ahmed Ben Bella: Não sou marxista mas me situo, resolutamente, à esquerda. Sou árabe muçulmano, de orientação muito à esquerda em minhas ações e minhas convicções. Por isso, ainda que não compartilhe da doutrina marxista, estive sempre do lado de todos os movimentos de esquerda do mundo e dos países socialistas que,  como Cuba, China e da URSS empreenderam a luta anti-colonialista e anti-imperialista. Foi com eles foi que constituímos uma frente de libertação e colaboramos com nosso apoio logístico aos exércitos populares para ajudar seus países a sair do colonialismo e instaurar um regime interior nacional. Era a fase de liquidação do colonialismo. O colonialismo era uma ideia nascida no Ocidente que foi levada aos países ocidentais como França, Itália, Bélgica, Grã-Bretanha – a ocupar países fora do continente europeu. Um colonialismo em sua forma primitiva ou seja, mediante a instalação nos países ocupados de poderes estrangeiros repressivos com um exército, serviços, polícias. Essa fase se caracterizou por ocupações coloniais cruéis que duraram até 300 anos na Indonésia.

S.C.- Depois desta fase, não se manteve no Movimento de Países Não-Alinhados?

Ahmed Ben Bella: Já não há países Não-alinhados. Aquele movimento foi criado pelos homens de grande envergadura, como Nehru, Mao Tsé-Tung, Nasser e outros nomes, numa época em que existia sobretudo um perigo de guerra atômica. Era o enfrentamento entre a URSS e os EUA. Estávamos à beira de uma guerra nuclear. Os países Não-alinhados desempenharam um papel importante em impedi-la. Aquele Movimento durou um certo número de anos. Mas o sistema acabou por colocar um fim.

S.C.- Mais tarde, o senhor, não desempenhou um papel importante no desenvolvimento do movimento altermundista?

Ahmed Ben Bella: o sistema mundial que controla tudo que temos mencionado encontrou uma forma de dominação: “a globalização” é por si, uma palavra muito bonita, uma palavra que pode unir, trazer fraternidade entre os povos. Sem dúvida, a palavra “globalização”, tal qual foi concebida, é uma palavra que causa muito dano, que conduziu a globalização da miséria,  da morte, da fome: 35 milhões de pessoas morrem de desnutrição a cada ano! Sem, seria uma palavra muito bonita se fosse globalizado o bem, se levasse o bem-estar a todos. Mas é o contrário. É uma globalização perversa que globaliza o mal, globaliza a morte, globaliza a pobreza.

S.C.- A globalização teve somente efeitos danosos?

Ahmed Ben Bella: A única vantagem que alcançamos é que hoje estamos melhor informados que antes. Ninguém pode continuar ignorando que este sistema traz a extensão da fome. Criaram riquezas mas são riquezas fictícias. O verdadeiro peso, no plano monetário, detém as multinacionais como a General Motors e a Nestlé, detém os grandes grupos industriais mais que os grandes países como o Egito. Se nos baseamos em lucros, General Motors, por exemplo, é quatro vezes mais rica que o Egito que é um país de 70 milhões de habitantes, o país dos faraós, um país extraordinário, o mais educado dos países árabes! Isso dá uma ideia do que significa a palavra “globalização”.

Por isso combati esse sistema que favorece os grupos que representam, no plano monetário, muito mais que um grande país que geram tantas desigualdades. Por isso nós temos que favorecer uma melhor compreensão dos problemas que outros tentam complicar tanto mas que são finalmente a expressão de uma só coisa: a instauração de um sistema desumano.

S.C.- Apesar da vontade claramente expressada, em 2003, dos três quartos dos países do planeta, os movimentos progressistas não conseguiram impedir a guerra. Não parece, ao senhor, que as vezes aqueles que se encontram na cabeça desses movimentos cometeram um erro, ou que simplesmente seguiram um caminho equivocado porque não souberam identificar as verdadeiras motivações do adversário.

Ahmed Ben Bella: Eu, que sou um homem do Sul, comprovei que algo mudou no Norte, algo que é muito importante assinalar. O que mudou precisamente nesta área supostamente adiantada do Norte, que fez a guerra em nossos países, que nos colonizou, que fez coisas terríveis a nós, é que hoje existe uma opinião pública que se expressa, que há jovens que dizem “basta”!

Isso indica que esse sistema mundial nefasto não golpeia somente o Sul como também afeta o Norte. Antes se falava de pobreza, de miséria, somente no Sul. Agora há muita miséria, muitos males que também causam vítimas no Norte. Isso está evidenciado: esse sistema mundial não está feito para servir ao bem de todos senão para servir as empresas transnacionais.

Por conseguinte, dentro desse Norte, que tanto temos combatido, há agora um movimento, há toda uma juventude que quer atuar, que se lança nas ruas, que protesta, ainda que a esquerda não tenha sabido dar a esses jovens que querem mudanças, as chaves da solução. Isso sempre passa: todo movimento começa dessa maneira. O movimento de libertação que dirigi na Argélia, a organização que criei para combater o exército francês, era o princípio de um pequeno movimento de nada. Não éramos mais que uma dezena de pessoas em toda a Argélia, um território que é cinco vezes a França.

S.C.- Que obtiveram essas gerações de jovens que puseram tantas esperanças em ATTAC, por exemplo, que agora propõem “reformar globalização”? Não havia que rejeitar o princípio em si mesmo e tomar medidas mais radicais ante o caráter radical do chamado sistema liberal?

Ahmed Ben Bella:As pessoas de esquerda, quando chegam ao poder, não é distinta que a de outros partidos. No tocante a Argélia, nós quisemos trabalhar com a esquerda francesa e não conhecemos pior poder que o que exerceu o Partido Socialista francês. O pior que nos ocorreu foi com os socialistas. Nenhum poder político anterior nos havia combatido tão duramente como o do socialista Guy Mollet. Estou te falando de fatos específicos. Falo do que conheci.

Eu estava a frente da FLN quando o governo de Guy Mollet, depois de entender que a França nao poderia manter-se na Argélia – se colocou em contato com o governo de Gamal Abdel Nasser para que nos perguntasse se estávamos dispostos a conversar com eles. Era o que eu tinha pensado sempre, que algum dia nos teríamos que nos sentar ao redor de uma mesa e definir melhor modo de como a Argélia para se converter num país independente.

Era o objetivo que buscávamos: voltar a ser livres, não viver mais sob o jugo de um sistema opressivo. Eu disse que sim, que estava disposto a negociar, com a condição de que foram eles -os franceses- que pediram. Exigi que as negociações acontecessem no Egito. As negociações duraram seis meses. Chegamos a uma solução. Com aquele pedaço de papel no bolso fui, em setembro de 1965. a informar a Mohamed V, o rei do Marrocos.

Ele havia se envolvido naquela luta, tinha nos ajudado, inclusive militarmente. Então, fomos a Túnis, onde pensávamos informar também as autoridades, fomos perseguidos pela aviação francesa. Foi o primeiro desvio de avião da história. Naquele avião estavam dois terços dos dirigentes da revolução argelina. Queriam nos matar imediatamente. Foi um milagre termos escapado da morte. Te conto isso para dizer o que penso dos socialistas: era Guy Mollet que apenas tinha acabado de assinar um compromisso, e já estava traindo. O mesmo poderia dizer do governador Lacoste, que também era socialista. Em todo caso, era a esquerda a que nos interessava e ao seu lado sigo lutando. Eu sou um homem de esquerda.

S.C.- Então quando se vê ao lado dos representantes da Internacional Socialista, nas tribunas dos Foros Sociais, pensa as vezes, que eles estão ali principalmente por uma questão de prestígio pessoal?

Ahmed Ben Bella: Sim, às vezes penso que não são sérios Eu sim desejo verdadeiramente mudar o mundo. Quero que este mundo mude. Para mudar as coisas necessitamos de gente sincera e sobretudo, desinteressada.

S.C.- O senhor acredita na necessidade de uma mudança?

Ahmed Ben Bella: Sim, desde muito jovem eu acredito nesta necessidade. Volto ao que perguntava, é o que me faz acreditar, internamente, numa certa confiança no futuro. Quero falar do que observo aqui, no Ocidente. Estou convencido que o sistema liberal não tem futuro. À esses jovens, à esses estudante do ensino médio que vi se lançar às ruas, que não tem outra coisa que seu ideal de justiça; a esses jóvens que participam de manifestações, que buscam outros valores, eu gostaria de lhes dizer: “Eu comecei assim, quando tinha a sua idade, com pequenos passos. E pouco a pouco o povo todo me seguiu.” Quando vou às manifestações, os observo, falo com eles, vejo que são eles que tem as cartas nas mãos.

S.C.- Uma pergunta surge com insistência: Os dirigentes dos movimentos anti-imperialistas tem evitado criticar Israel, estado ideológico e legislativamente racista que desde sua criação está aplicando uma limpeza étnica na Palestina? Te orientado mal as gerações de jovens, tem criado falsos debates enquanto Israel se mantinha ativa junto aos EUA no combate contra o comunismo, contra nasser e contra o nacionalismo árabe e apoiava regimes terríveis?

Ahmed Ben Bella: São perguntas que estão sobre a mesa e são objeto de polêmica. Nós não queremos falsa solidariedade. Não queremos um Estado que, como Israel, seja o instrumento preferido deste cruel sistema global que os EUA dirige, país cuja política tem feito tanto mal. Para nós há uma dupla traição. A traição, primeiro, daqueles que de esquerda deveriam ter estado do nosso lado, leais a causa palestina e árabe e não estiveram. Esta também é a traição de todos esses judeus com quem nos sentimos próximos, que temos algo em comum, com quem vivíamos em perfeita harmonia. Árabes e judeus são primos. Falamos a mesma língua. Eles são semitas, como nós. Falam aramaico e nós falamos aramaico.

O aramaico tem várias vertentes: Etiópia fala aramaico, Eritreia fala aramaico, pessoas da crença judaica fala aramaico, os árabes falam aramaico. Isso é o que nos causa tantos danos, sabermos que somos traídos por aqueles que são tão próximos de nós, por aqueles que nossos primos, que se parecem conosco e que falam aramaico como nós. Conhecemos o anti-semitismo porque nós somos semitas. A isso eu acrescento, inclusive, que o profeta deles é nosso profeta. Moisés e Jesus Cristo são profetas para nós.

S.C.- A partir do fim do multilateralismo, a ONU está sob controle de Washington e dos neoconservadores. Todo país árabe que não se submete ao ditados destes, é colocado à margem das nações. Como o senhor julga essa situação? Como sair dela? Diante do enfrentamento do unilateralismo israelense, não está o Hamás condenado a fracassar e a renunciar àquilo que luta pelo seu povo há 60 anos?

Ahmed Ben Bella: penso que o ocorre com o Hamás é característico do que acontece entre nós, essa dimensão que toma agora uma forte conotação religiosa, que abraça o Islã. Eu sou árabe muçulmano. Não gostaria de viver num país dirigido por um fundamentalismo islâmico. Mas, eu falo com toda franqueza, não os critico porque essa necessidade de religião foi criada pelas distorções do sistema capitalista. Por nos causarem tantos danos isso resulta que em vez de se depararem com um movimento que reclama as características árabes, que abraça a cultura e se mantém aberto, se veem diante dos extremistas. Israel e os EUA se encontram diante dessa dimensão. Eles próprios provocaram essa situação.

S.C.- O senhor não deseja uma resposta religiosa?

Ahmed Ben Bella: Eu sou muçulmano mas não desejo que a resposta seja religiosa. O que rechaço não é a religião em sim, mas o fato de que não se consiga fazer uma leitura no sentido da renovação do islamismo, que se consiga apenas uma leitura retrógrada do islamismo quando o islamismo tem a vantagem de acreditar também, em duas religiões: a religião judaica e a religião cristã. Para nós, Maomé é a continuidade de Jesus Cristo e de Moisés.

S.C.- Os muçulmanos estão encabeçando a resistência anti-colonial atual? Não teríamos que reconhecer que aquilo que os árabes-muçulmanos combatem não são os valores do Ocidente senão que sua política agressiva? O Hezbollah, por exemplo, que tem má reputação entre nós, não teriam por acado, conseguido retroceder o imperialismo estadunidense e israelense no Líbano?

Não deveriam os progressistas ultrapassar seus preconceitos sobre os muçulmanos, os considerar como um elemento dinâmico da lucha contra a opressão e lhes dar apoio?

Ahmed Ben Bella: Sim, sim. Há aí um problema de educação. São aqueles que dirigem os partidos progressistas quem tem que responder corretamente diante de determinadas situações. Mas, não é o que acontece. Temos uma bandeira e um hino nacional. Os demais são os ocidentais, de diferentes tendências, que decidem por nós. Tudo isso se envolve com palavras bonitas, sob a ajuda de órgãos como o Banco Mundial e o FMI, que não são mais que instrumentos de tortura que o Ocidente criou para continuar sua dominação, o que significa que saímos de um sistema de colonialismo direto para cair em outra coisa que parece melhor mas que não é.

Sem dúvida, repito que tenho esperança de que esse Norte que nos causou tanto mal a essa juventude esteja tomando consciência de que essa lógica de dominação provoca mais e mais pobreza, tanto no Norte como no Sul. Ainda que seja a mesma dominação que se aplica no Seul, se trata de uma situação de indigência que não se pode aceitar nenhum ser livre. Quantas pessoas são vitimas de desemprego, da pobreza? Quantos foram atirados nas ruas? Talvez seja isso que acabará por levar os povos do Norte a mudar sua visão das coisas e a unir-se verdadeiramente a nós.

S.C.- Não vemos hoje muita gente protestar no Ocidente contra as atrocidades cometidas no Iraque, na Palestina e no Afeganistão. O senhor não tem a impressão que há tantos preconceitos, cuidadosamente alimentados, contra os árabes e muçulmanos – inclusive no seio das organizações revolucionárias – que a possibilidade de apoiar a resistência de vocês, isto te parece uma ideia distante?

Ahmed Ben Bella: É verdade, os partidos de esquerda que esperávamos não se uniram a nós. Se aferraram a esta ideia. Quando se menciona o Islamismo, eles falam de Bin laden. Não gostaria de viver em sua república mas não o critico.

Quando vejo o que faz Bush não posso permitir críticas a Bin laden. Te digo com toda franqueza que os ataques contra as torres de Nova York eu não condenei. Eu condeno Bush, condeno o governo estadunidense, porque considero que Bin Laden é fruto da política deles. Eles fecharam todas as portas do diálogo aos árabes-muçulmanos. E os fizeram acreditar, por décadas que se faziam isto ou aquilo o Ocidente faria justiça na Palestina. Sem dúvida, Israel e seus aliados não quiseram nunca a paz em nossa terra. Israel nunca deixou de fazer guerras e de aterrorizar nossos povos.

Indiretamente Bin Laden é uma criação de Bush e de Israel. Esses dois Estados semeiam a morte e o ódio no Oriente Médio e no mundo. Não nos deixaram outra alternativa além da confrontação violenta. Todos esses movimentos radicais, qualificados de “terroristas” e “fundamentalistas” nasceram de uma resposta aos terroristas que, desde Tel Aviv e Washington, dirigem guerras de destruição contra os povos árabes.

Qual alternativa tem esses povos que eles bombardeiam tão selvagemente? Diante dos exércitos modernos não lhes sobra outro recurso a não ser sacrificar suas próprias vidas em atentados suicidas. E é isso o que fazem. No Corão, isso se chama “shahadah”. Essa palavra expressa um recurso extremo, um estado de desespero tal que quem o sofre não pode continuar suportando a vida. E se sacrificam não é prol de uma vida melhor para si mesmos mas para que ao menos os seus vivam melhor. É o maior sacrifício. Aqui, no Ocidente, os chamam de “terroristas”. Mas vou te dizer com toda a sinceridade que hoje me inclino diante de quem tenha feito um sacrifício tão grande, te asseguro.

S.C.- Sim, entendi bem, você disso que tudo que causa a rebelião das pessoas no Oriente Médio, tem sido gerado pelo Ocidente, que aquele que luta tem que se sacrificar e sofrer pelos outros, que os árabes deram provas de tolerância no passado?

Ahmed Ben Bella: É assim. A violência que se expressa no mundo árabe-Muçulmano é o resultado da cultura de ódio e violência que Israel produziu para se impôr nas terras dos árabes. As atrocidades desse Estado ilegal obrigam aos mais valorosos a reagir. Não creio que haja luta mais nobre que a dos palestino que resistem ao ocupante. Quando vejo o que já sofreu este povo há mais de um século e que segue encontrando forças para lutar, só posso expressar admiração. Os mesmos que massacram esse povo apresentam agora o Hamás como fascista e terrorista. Não são fascistas! Não são terroristas! Sào pessoas que resistem!

S.C.- Palestina é uma nação encarcerada. Como chegou a falar de “terrorismo”, inclusive no seio da esquerda, ao invés de falar do direito de resistir com armas? Você encontra grandes similitudes ou diferenças entre a colonização francesa na Argélia e a colonização israelenses na Palestina?

Ahmed Ben Bella: É pior na Palestina. Ali há, além do mais , um apartheid. Os franceses não podiam nos expulsar de um país que tem cinco vezes o tamanho da França. Trataram de criar uma zona de contenção no norte, com a menor quantidade de argelinos possível, mas não deu resultado. Não estabeleceram um verdadeiro apartheid, como fazem os israelenses na Palestina. O estado de israel criou a mais terrível das dominações.

S.C.- Você acredita que os palestinos viverão sob ocupação por menos tempo que os argelinos?

Ahmed Ben Bella: Eu acredito que sim. Em primeiro lugar, o colonialismo é um fenômeno claramente identificado e condenado pelas leis internacionais. Além do mais se há um assunto atual sobre o qual existe unanimidade no mundo árabe, é a questão palestina. Enquanto não se fizer justiça aos palestinos, o mundo árabe muçulmano tampouco poderá sentir-se livre. É uma parte de seu ser que se mantem prisoneira.

S.C.- Em outra época, a política não era mais nobre mas havia algum equilíbrio. Desde que a bipolaridade acabou foram varridos os princípios morais mais elementais.

Se fala constantemente de combater o “terrorismo” mas não se fala das 800 crianças mortas na Palestina pelos soldados israelenses desde o ano 2000, nem dos milhares de crianças iraquianas assassinadas ou doentes que não tem direito a um desenvolvimento normal.

Teriam sido possíveis as atrocidades de Guantánamo e Abu Ghraib se a comunidade internacional tivesse tido a decência de dizer não à violência de Washington? Qual dirigente de Estado tem as mãos limpas nesta suposta guerra contra o “terrorismo”?

Ahmed Ben Bella: o que aconteceu em Guantánamo, Abu Ghraib e em outras parte é imenso. E todo esse horror segue propagando-se e provocando grandes sofrimentos. Sabemos que os EUA instalou prisoes na Europa Oriental para se esquivar de suas próprias leis e que a Europa é cúmplice de tudo isso. Inclusive a Suiça é criticada por ter autorizado que sobrevoassem seu território os aviões que transportam prisioneiros fantasmas, sequestrados, submetidos à torturas.

S.C.- Quais seriam no seu entendimento os meios para enfrentar a estratégia de Bush e dos neocons?

Ahmed Ben Bella: Este é um movimento integrista  (pesquisa DeniseSq ) mas cristão! O problema que enfrentamos hoje é o seguinte: a ideologia Bush é o pior integrismo que se possa imaginar. Aqueles que inspiram Bush são os famosos evangélicos protestantes. É um integrismo terrível. Que meios temos para combater?

Já falei das esperanças que coloco na juventude, ainda que eu saiba que não tenham os verdeiros meios de combater este espantoso sistema. Sei que não basta lançar-se às ruas. Há que passar a outra coisa, inventar outros meios de ação, mas o necessário é atura em vez de sofrer. E quando se tem a impressão de que não avançam, é preciso entender que existem fases, que se necessita um certo tempo para que a maioria nos entenda. A ação começa com os que tem uma compreensão clara, mesmo que não abarque todos os problemas. Mas depois é preciso vencer os obstáculos e pensar que nem o partido socialista, com toda sua pretensão de ser socialista vão conseguir mudar este mundo.

S.C.- A solução para chegar a um reequilíbrio podem vir da China e da Rússia?

Ahmed Ben Bella: Penso que a China pode ser uma esperança. No passado a Rússia nos ajudou extraordinariamente. Mas , neste momento, infelizmente a Rússia não está numa situação fácil. Eu não coloria esperança na Rússia. Eu contaria muito mais com a China, inicialmente porque tem argumentos que a Rússia não possui. É um país que se encontra a frente dos países em expansão. O próprio Ocidente se estabelecerá na China para reativar sua economia. Daqui há 20 anos veremos um novo mapa político.

S.C.- O que dizer, dos povos abandonado a sua própria sorte na Palestina, no Iraque?

Ahmed Ben Bella: Jamais atuamos pensando que seremos nós que iremos nos beneficar. Atuamos porque temos que atuar. As grandes conquistas nunca foram produto de uma só geração. Em nosso país dizem que:

“Aquele que come, não é aquele que serve o prato. Temos que criar redes de solidariedade que apoiem incondicionalmente a luta desses povos.”

S.C.- O que dizer também a esta juventude que você menciona, testemunha de tantos abusos?

Ahmed Ben Bella: Não podem respeitar as barreiras, tem que tomar iniciativas. Se não basta apenas se reunir periodicamente em grandes demonstrações, se nada muda, tem que fazer outra coisa, inventar sem demora outras formas de luta.

S.C.- Mas não chegou a hora dos árabes tomarem uma direção anti-belicista, diferente dos ocidentais?

Ahmed Ben Bella: Sim, sim. Diante da gravidade da situação no Oriente Médio são os palestinos ou representantes dos movimentos no mundo árabe os que tem que atuar. Acredito que esse movimento árabe, o movimento palestino e se todas essas forças se conjugam e se sobrepõem as suas divergências, são uma esperança não somente para os árabes. Essas forças também podem contribuir para mudar o mundo, o sistema global e seu modus operandi

S.C.- Você parece otimista!

Ahmed Ben Bella: Não somente o único otimista. Passo a vida atuando. Não me conformo em fazer discursos. Dedico todo o meu tempo para a ação mediante a organização Norte-Sul. Também creio que às vezes, as forças da esperança vem de onde menos se espera.

S.C.- O primeiro congresso constitutivo da Aliança Popular Árabe de Resistência teve lugar no final de março de 2006, no Cairo. Os participantes chamaram os povos a se colocarem

“sob a bandeira do internacionalismo para apoiar o povo árabe em sua luta contra a agressão imperialista”.

Constitui esse ponto de partida de uma campanha que se os partidos progressistas do Ocidente se unissem a ela, poderiam reativar o movimento anti-belicista e caminhar no sentido de seus desejos?

Ahmed Ben Bella: Sim, pessoalmente sou favorável a essa iniciativa.

O importante é avançar. Não se avança se duvidamos, se pensamos que acabou, se estancamos em divergências. Avançar ou corrigir os defeitos, isso é a vida. Do lado dos árabes também há muitos obstáculos para vencer. Temos que fazer um esforço para vencer as divergências.

No seio do movimento árabe encontramos, sem dúvida, as mesmas debilidades do movimento anti-imperialista no Ocidente.

S.C.- Há mais de 10 mil palestino presos injustamente nas prisões israelenses e que não são reconhecidos como prisioneiros políticos. Ahmed Sa’adat – sequestrado por Israel em Jericó em março de 2006 junto com mais 5 companheiros, quando estava sob custódia de estadunidense e britânicos – está sendo submetido desde então à torturas constantes. El reafirmou sua vontade de não ceder ao dizer: “Aonde quer que eu esteja, seguirei combatendo”. Seguramente, você se reconhece nesta afirmação. Você sabe o que significa estar preso?

Ahmed Ben Bella: Sim. Eu vivi 24 anos e meio na prisão. Quando os franceses me prenderam em La Santé, juntamente, com os condenados à guilhotina. São terríveis os maus-tratos que Israel inflige aos palestinos. Atualmente não tenho outro projeto além da Palestina. Farei tudo que puder para ajudá-la. Para alcançar a paz, na Palestina e no mundo, tem que acabar este sistema de mercadores. Porque os problemas são imensos, os danos são imensos. Deixar o mundo nas mãos de mercadores e assassinos constitui crime. Esse é o verdadeiro terrorismo, não Bin Laden.

S.C.- Hoje, quando chefes de Estado dizem que fazem a guerra no Iraque em nome da liberdade e da democracia, o que diria a eles?

Ahmed Ben Bella: Digo que o direito a vida é o mais importante dos direitos humanos. Os direitos humanos são o direito de viver. Todos os filósofos falam do direito a vida. Proteger a vida, viver é o primeira coisa que todo mundo deseja. Mas o sistema mundial não se importa em garantir esse direito. Explora e mata. E quando não pode matar constrói prisões sem controle, abusos que pretendem chamar de democracia. EUA está fazendo no Afeganistão e Iraque o que sempre Israel fez contra os palestinos. Nos falam da democracia israelense, da democracia estadunidense. Mas que democracia tem nos dado ao destruir toda a possibilidade de vida?

S.C.- Você sofre pelo Iraque?

Ahmed Ben Bella: Ah, sim. Para mim, o Iraque… estive lá quinze vezes, sabia? (silêncio) [1] Quase me matam no Iraque. É insuportável ver o que estão fazendo lá! O que estão fazendo naquele país que é o berço da civilização! Foi no Iraque que começou o cultivo da terra. Ali nasceu a humanidade. Ali forjaram os primeiros princípios. Alí nasceu o alfabeto, o primeiro código, o de Hammurabi. Tudo isso foi destruido pelos dirigentes incultos, por uma nação que tem somente 250 anos de história, que foi colônia da Grã-Bretanha. Que liquidou o colonialismo inglês e instaurou um colonialismo mundial. O que fizeram com os 80 milhões de ameríndios? Nunca voltarei aos EUA. É um país de bandidos.

S.C.- As guerras desencadeadas no Afeganistão e no Oriente Médio são para você guerras racistas?

Ahmed Ben Bella: Exatamente. São guerras contra o Islam, contra a civilização árabe. Isso salta à vista. Os países que segundo Bush estão fora da lei, somente um não árabe-muçulmano: Coreia do Norte. Os demais Síria, Iraque, Sudão, Irã são todos muçulmanos. As cruzadas tinham como objetivo, supostamente, recuperar o túmulo de Jesus Cristo. Às vezes, para provocar os ocidentais, pergunto: Que língua falava Jesus Cristo? Falava a minha língua, não a sua. Falava aramaico, como eu!

Quando você lê a Bíblia, Jesus Cristo disse: “Eli, Eli, Lama sabakta-ni” [2] E nós dizermos na Argélia: “Ilahi limada sabakta-n”. São exatamente as mesmas palavras que pronunciou Jesus. Jesus falava como eu. O Islam tirou muitas coisas do Evangelho ou da Bíblia, que o próprio Islam completou.

Eu vou explodir de ver tanto abuso. Nos fizeram tanto mal…Afetaram nossa dignidade. Sem falar daquele pequeno povo na Palestina. Quantos palestinos tem que viver sob a dominação mais abjeta?

Nossa reação não tem que ver com racismo, te asseguro. Estamos mais do que cansados. O Ocidente nos causou muito mal. Não foi por acaso no Ocidente que se cometeu os piores crimes contra a humanidade? Onde nasceu o fascismo? Onde nasceu o nazismo? Onde nasceu o estalinismo? A famosa Inquisição que durou 400 anos, onde se realizou? Francamente te que ser muito abnegado para dizer, a si mesmo, diariamente: “Não quero odiar o Ocidente”.

S.C.- Não teria que incriminar os defensores do “choque de civilizações”, aos pró-israel, como os principais instigadores anti-árabe, anti-islam que se propaga de forma inquietante contra seus povos?

Ahmed Ben Bella: Com certeza. O lobby israelense nos EUA é algo terrível. Até agora não se podia mencionar sem que te acusassem de anti-semita. Recentemente apareceram vários estudos que demonstram com exemplo irrefutáveis o peso do lobby israelense nas opções políticas e militares de que somos objeto.[3]. Agora ninguém pode negar a importância, inclusive o perigo que representa este lobby que penetra todas as esferas estratégicas. Me sinto, portanto, muito preocupado nesse aspecto das coisas que dificulta, ainda mais, a solução da questão palestina. Tenho que dizer que ainda que o Islam sofreu muitos males, o Islam nunca causou danos a outros países. Ao longo de sua história, o Islam mostrou uma tolerância que não existe em nenhuma outra parte, enquanto que Israel conseguiu introduzir-se à força num espaço e num lugar habitados por palestino – um dos povos árabes mais evoluídos – e criou , desalojando-os de suas terras, um
Estado racista. Enquanto Israel se negar a reconhecer o direito dos palestinos de existir e regressar as suas terras, não haverá paz no mundo.

Fuente: http://www.silviacattori.net/article29.html

Silvia Cattori

[1] Em 1990-91, o presidente Ahmed Ben Bella dirigiu uma mediação entre França e Iraque paara tratar de impedir a guerra do Golfo. Os negociadores franceses eram Edgar Pisani e Marc Boureau d’Argonne, administrador da Red Voltaire. Ler “Le double jeu de François Mitterrand”, Voltaire, 3 de novembro de 2003.

[2] «Eli, Eli, Lama sabakta-ni», palavras atribuidas a Jesus nos Evangelhos pouco antes de sua morte. Tradução: «Pai, Pai, por que me abandonou?»

[3] Ben Bella se refere ao ensaio, publicado pela London Review of Books, intitulado «Le Lobby israélien et la politique étrangère des États-Unis» (The Israel Lobby and US Foreign Policy), redigido em conjunto com o professor John Mearsheimer, da Universidade de Chicago, e profesor Stephan Walt, decano da Kennedy School of Governement da Universidade de Harvard.

Todas las versõesde este artigo:
– Ahmed Ben Bella : « J’ai vécu 24 ans et demi en prison »
– Ahmed Ben Bella: “I spent 24 and a half years in prison”
– Ahmed Ben Bella: “Eu vivi 24 anos e meio na prisão”

Fonte: Aporrea 

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