Receita para assassinar midiaticamente um líder anti-imperialista


A propósito da virulenta campanha desencadeada contra Hugo Chávez durante sua visita à Argentina nos pareceu oportuno publicar esta incisiva análise do filósofo e semiólogo Fernando Buen Abad Domínguez sobre as agressões perpetradas contra o líder bolivariano por parte da “imprensa séria e independente” de todo o mundo.

Uma ofensiva que reproduz campanhas similares de terror como as quais no passado se pretenderam aplacar a iniciativa contestadora das massas populares na América Latina e no Caribe e criar as condições para um castigo reparador de tamanha ousadia a cargo dos militares treinados no grande berço de liberdades civis e democráticas que é a Escola das Américas, cuja sinistra influência, não preocupam em nada aos oligopólios midiáticos em todo o mundo.

A esquerda de nosso continente deveria tomar nota de um dos axiomas cruciais do pensamento militar e estratégico estadunidense que diz que “no mundo atual a contra-insurgência será travada nos meios de comunicação”. Foi por isso que Fidel nos convocou a lutar a “batalha de idéias”, antes que as estratégias do Pentágono chegassem àquela conclusão.

Reagimos, tardiamente, às indicações do Comandante mas a grosseria e o desespero dos poderes midiáticos, a tentativa para ofuscar o inocultável e os enormes esforços e grandes somas de dinheiro que destinam para atacar os principais expoentes da esquerda latino-americana revelam que as coisas estão mudando. Sua anterior e onipotente capacidade de deformar e manipular a consciência pública, atualmente tropeça em crescentes obstáculos e esta frustração está na base de suas freqüentes e descaradas mentiras e incontida agressividade que são disparadas contra o presidente Hugo Chávez.

Ofensivas digitais para incriminar, caluniar e desmoralizar…

Violência Semiótica contra Hugo Chávez

por Fernando Buen Abad

Universidad de La Filosofia

Manipulam vídeos, manipulam desenhos, manipulam fotografias… para ridicularizar, desqualificar e criminalizar

É difícil calcular a quantidade de imagens (visuais, sonoras ou literárias) que circulam por todas as partes para ridicularizar a hierarquia política, a autoridade moral e o espírito revolucionário do presidente da Venezuela. Não cairemos na armadilha de reproduzir algumas dessas imagens mas tampouco cairemos na armadilha de guardar silêncio, nem fugiremos a responsabilidade da batalha semiótica que nos toca o cenário mundial da Guerra Simbólica. Em última instância não teremos medo de denunciar… (as universidades, quase todas as seitas e muitas burocracias)…  já estão repletas de medrosos.

Isto soa como uma bravata? Belicismo? Soa, por acaso, como “pouco científico”? Soa como pouco sério? Vejamos.

O repertório das agressões simbólicas contra o presidente Hugo Chávez, obedece aos protocolos ideológicos mais ortodoxos da “Guerra de IV Geração”. Se trata, sim, de cometer crime que ao ridicularizar ou ofender ao presidente da nação, tenta contra a vontade democrática de um povo e vice-versa. Golpe baixo com intenções ainda mais perversas. Alguns dirão que é “senso de humor”, outros dirão que “exercem sua liberdade de expressão”, alguns mais dirão que se trata de uma forma didática” de exercer a dissidência e a crítica… Há canalhas “tecnificados” (pessoa “capacitada” em TI) que usam computadores, câmeras de vídeo, fotografia… há os que colocam câmeras, microfones e dispositivos escondidos para a interceptação de correios eletrônicos. Não faltam os que espiam os computadores e inclusive os que espiam e intervém nas “correspondências” e “chats”. Qualquer coisa serve para semear focos de violência simbólica cujo objetivo seja “queimar”, ridicularizar um mandatário democrático, numa fogueira de manipulação tecnológica na “praça pública” da espionagem. Inclusive nas questões pessoais.

As imagens manipuladas são um relato claro das perversões que fecundam as mentes daqueles que financiam e/ou realizam iconografias para a ofensiva oligárquica. Muitos estão altamente tecnificados e conseguem figuras saturadas com intensidades inexpugnáveis de violência psicológica. Usam qualquer cena da vida real, da vida privada, do espaço público… Para fins perversos, nada os detém.

Basta que a imagem ofereça uma ponta, um gesto, uma fraqueza… uma intimidade para que seja usada como arma para desqualificar, ridicularizar e desmoralizar. A tecnologia é submetida ao gozo da degeneração e emerge deste coquetel uma galeria monstruosa de ícones ou animações constitutivas de um arsenal de idéias e gráficos explicitamente terroristas. Muitos se tornam cúmplices simplesmente com as risadas incontidas. Fazem reinar a mentira. Assim começa.

Até hoje, para os inescrupulosos espiões financiados pelos oligarcas, vale ouro – como receita bélica convencional – o golpe moral de submeter ao ridículo, exibir como cadáver ou mostrar em “atos obscenos”… a imagem de um líder. Se este é um líder transformador e revolucionário… os inspira ódio ainda maior. Para eles “vale tudo” (menos argumentos racionais, é claro). Para eles qualquer desconforto, desânimo, medo e dúvida são terrenos cobiçados. Sua “Alma-Mater” é o dinheiro e sua finalidade é desmobilizar o inimigo sem se importar que tipo de obscenidade vai utilizar. Há exemplos em abundância e se gasta nisto uma quantidade monstruosa de dinheiro. O objetivo é semear o caos, substituir valores, obrigar a acreditar no falso. Representar uma tragédia, a morte, o irreversível… e destruir a moral e a consciência do outro. Especialmente se é socialista.

Importante é manchar a imagem do líder, desviar a direção, quebrar a vontade e degenerar os processos revolucionários que se desenvolvem no interior da luta de classes. Todos os meios servem a esta imundície: Literatura, cinema, teatro, televisão… todos submetidos para que mudem de direção e exaltem os interesses mais baixos, mais retrógrados. Trata-se de semear e incutir na consciência coletiva o medo, o desconcerto, as dúvidas, a desconfiança e a ironia fétida da violência, do sadismo e da traição.

Em suma: qualquer tipo de imoralidade.

Sua idéia é espalhar o caos e a confusão no mundo e que isso que parece um “paraíso” onde a violência contra os povos seja ativa e constante, déspota, corrupta… acabe por dominar a falta total de princípios, a morte da honra e da honestidade que serão ridicularizadas, desnecessárias e convertidas em motivos de repressão.

Um mundo onde reina o descaramento, a insolência, o engano e a mentira… as degenerações sexuais se envolvem, naturalmente, com o mau cheiro do alcoolismo, da drogadição, do medo irracional, da traição, do fascismo e das inimizades entre os povos, com a desconfiança entre as pessoas e, sobretudo o reino do ódio cultivado obsessivamente.

Agridem, de qualquer parte e impiedosamente, à Hugo Chávez. Não importa se são locutores, leitores de notícias, sacerdotes ou catedráticos. Abrem a boca prenhe de ódio para ridicularizar, por exemplo, com tons sarcásticos… para manipular fotografias, vídeos ou áudio… para caluniá-lo, desacreditá-lo e sentenciá-lo a converter-se em “resíduo da história”, produto (segundo, não poucas mentes homicidas) de alguma bala ou algum recurso como os que, inclusive por televisão, foram vaticinados.

Tudo e todos se mantêm na impunidade.

Em suas intenções mais abjetas os manipuladores de imagens e sons (de imaginários até magnicidas) têm como “target” (alvo) os jovens para corromper-los, desmoralizar-los e perverter-los.

Já existem videojogos a respeito.

Poderíamos formar um dossiê de imenso horror se juntássemos, somente, numa casuística latino-americana todas as formas de agressão simbólica contra Hugo Chávez publicado nos jornais. Todos os risinhos matinais dos jornalistas-lebreles (lagomorfa), todas as notícias deformadas para exibi-lo como “ineficiente”, “autoritário”, “ditador” e “comunista”. Todas as fotografias, as “legendas das fotos”, os vídeos e a sonoplastia pré-fabricadas para que se perceba o “intransigente”, o “antidemocrático”, o “ameaçador” que é Chávez. Podemos estudar o dossiê e devemos denunciá-lo aos quatro ventos e em alto e bom som. Devemos exercitar a denúncia e treinar a contra-ofensiva. Devemos cumprir nossas tarefas por questão de justiça e pelo bem de todos… agora se colocarmos nossas barbas de molho poderemos ser a próxima vítima.

Sorriam, estão nos filmando.

Fonte: AtilioBoron

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