A covardia do BC e dos banqueiros contra a Nação Brasileira e seu Povo



 

Na última edição da Hora do Povo , o companheiro Carlos Lopes publicou uma excelente matéria sobre os Juros e Amortizações da dívida pública paga pela União ao cartel de bancos, e eu disse a ele, que para mim. aquele número era tão gigantesco e a violência contra o povo e a Nação era de tal tamanho, que eu estava com dificuldade de absorvê-lo, de pensar nas consequências daquela inominável ganância e covardia contra o Brasil, pois o que ali sobrava e muito, ao povo faltava em hospitais, escolas, moradia, saneamento, emprego, salário, alimentos, remédio, tudo enfim…

Miguel Manso

Disse o Carlos Lopes nesta matéria:

“Em dinheiro, isso significa que os bancos receberam do governo, em oito anos, R$ 1.858.679.200.827,38 (1 trilhão, 858 bilhões, 679 milhões, 200 mil, 827 reais e 38 centavos), sem incluir o refinanciamento da dívida (“rolagem”).

No mesmo período, foi destinado à educação R$ 169.819.375.194,80, ou seja, 1/11 do que foi passado aos bancos.”

Gentilmente, e com o compromisso que o Carlos tem com todos, escreveu-me um email que tomo a liberdade de compartilhar, alguns trechos, com os amigos, pois talvez a dificuldade que ele e eu tivemos de absorver essa violência e covardia praticada pelas elites e seus capachos dentro do Banco Central e do Tesouro Nacional, tão comprometidos com seus amos e com o futuro de financistas que os espera, possa ajudar também a outros companheiros a absorver e poder combater esse estupro contra a Nação.

É comum, quando somos vítimas de tamanha violência, a vergonha que sentimos por não termos conseguido nos defender da truculência cometida, reagir ignorando-a e fingindo que ela não aconteceu, ou não modificou nossas vidas, nos culparmos ao invés de culpar o agressor como ele merece e condena-lo pelo crime cometido, mas apesar de tudo o que temos que fazer é superar este sentimento e buscar com toda a nossa força colocar atrás das grades os que cometem tal abuso contra todos nós e contra os que nada tem e tiveram poucas condições de se defender.

Eles não perdem por esperar.

Grato Carlos, por sua imensa dedicação.

Aqui vai o que o Carlos Lopes me enviou…

“Miguel, como fiquei a maior parte da noite acordado … andei pensando no nosso papo sobre os números do que o governo repassa aos bancos. …
Mas tem uma coisa – aqueles valores são menores que os reais, ou, melhor, menores que o total. Ou seja, apesar de impressionantes, eles não são tudo o que é passado aos bancos.

Primeiro porque, como o meu objetivo era tentar ajudar o pessoal no Congresso da UNE, me ative somente ao que sai do caixa do Tesouro Nacional. Porém, não é somente desse caixa que sai dinheiro público para os bancos, pois também tem o dinheiro pago pelos outros níveis do setor público – além de Estados e municípios, as estatais de cada nível. Tudo isso está incluído no que deveria ser pago com o superávit primário, isto é, espremendo as demais despesas, mas sempre vai muito além da “meta” de superávit primário – portanto, espreme as outras despesas muito mais ainda que o supostamente “previsto”. A meta do superávit primário é a única que pode estourar à vontade. Aliás, esses bandidos até consideram um mérito quando ela estoura, vide Mantega.

Mas, voltando, a diferença entre o que sai do Tesouro e o que sai de todos os caixas públicos para os bancos é grande. Só considerando os juros, sem as amortizações:

JUROS NOMINAIS PAGOS PELO SETOR PÚBLICO
ANO TOTAL TESOURO
2003 R$ 144.594.827.872,60 R$ 65.706.834.037,86
2004 R$ 128.524.319.925,78 R$ 74.373.387.099,76
2005 R$ 158.093.962.113,64 R$ 89.839.644.291,51
2006 R$ 161.925.167.310,37 R$ 151.151.879.811,90
2007 R$ 162.538.468.829,50 R$ 140.078.869.860,18
2008 R$ 165.510.835.389,99 R$ 110.168.275.749,73
2009 R$ 171.010.923.815,89 R$ 124.180.424.433,10
2010 R$ 195.369.259.184,23 R$ 122.018.856.725,69
TOTAL R$ 1.287.567.764.442,00 R$ 877.518.172.009,73
Fontes: Banco Central – Relatório Fiscal (estatísticas consolidadas) Secretaria do Tesouro Nacional – Execução orçamentária

Portanto, só nos juros há uma diferença de mais de R$ 410 bilhões.

Segunda questão: o que publiquei eram valores correntes de cada ano. Isto é, sem atualizar os valores. No entanto, o real de 2003 não tem o mesmo “valor” do real de 2010.

Os números a seguir (que são somente do Tesouro) eu não publiquei, apesar de ter planejado fazê-lo, pois me pareceu que era realidade demais para o leitor. Uma vez dei de presente ao Cláudio uma tradução de “O Vigário”, uma peça de um alemão, Rolf Hochhut, publicada em 1963, porque o posfácio do autor trazia alguns números pavorosos sobre as vítimas do nazismo – e o Cláudio queria citá-los na tese que pretendia escrever para o IV Congresso do MR8. Mas, nesse mesmo posfácio, o cara dizia que, na peça, ele diminuíra os números porque, na época, para o público (devia, evidentemente, estar pensando nos alemães ocidentais), esses números, apesar de rigorosamente verdadeiros, pareciam inverossímeis, tirando a credibilidade da denúncia do nazismo.

Esse é um problema quando a gente escreve sobre grandes aberrações.

Veja abaixo: são os mesmos pagamentos de juros e amortizações que saíram no HP (no jornal está a soma dos dois), somente que atualizados pelo IGP-DI de janeiro de 2011 para mostrar o que valeria hoje o dinheiro dos anos anteriores. A atualização foi feita pela própria Secretaria do Tesouro (toda a dívida do setor público, seja lá qual for a instância, usa como índice de atualização o IGP-DI, provavelmente, acredito eu, porque esses canalhas só vêem dólar na frente, e o IGP-DI é o índice que mais reflete a variação cambial – o problema, como disseram os governadores, é que ele é superior à inflação oficial, isto é, ao IPCA).

Os valores são referentes às despesas liquidadas, isto é, ao que realmente saiu do caixa do Tesouro, em dinheiro, a cada ano. E… em vez de R$ 1,8 trilhão, o roubo vai para R$ 2,16 trilhões. E só o que saiu do Tesouro, isto é, do orçamento federal.

Acho que o leitor não ia acreditar. Até eu, que conferi ano por ano, número por número, tenho dificuldade. Por isso, fiquei nos R$ 1,8 trilhão, que já era coisa como não acaba mais para o leitor absorver.

PAGAMENTOS DE JUROS E AMORTIZAÇÃO EM VALORES ATUALIZADOS
ANO JUROS AMORTIZAÇÃO (não inclui rolagem) TOTAL (juros + amortização)
2003 R$ 95.992.181.071,56 R$ 116.217.227.811,95 R$ 212.209.408.883,51
2004 R$ 99.319.027.891,29 R$ 95.618.507.342,96 R$ 194.937.535.234,25
2005 R$ 113.217.391.045,18 R$ 62.067.197.670,89 R$ 175.284.588.716,07
2006 R$ 187.244.311.117,84 R$ 149.805.302.510,07 R$ 337.049.613.627,91
2007 R$ 165.120.987.251,68 R$ 114.173.455.148,98 R$ 279.294.442.400,66
2008 R$ 116.741.826.215,53 R$ 181.184.255.650,09 R$ 297.926.081.865,62
2009 R$ 129.284.233.251,05 R$ 262.448.866.093,94 R$ 391.733.099.344,99
2010 R$ 127.997.014.001,01 R$ 146.753.175.294,32 R$ 274.750.189.295,33
TOTAL R$ 1.034.916.971.845,14 R$ 1.128.267.987.523,20 R$ 2.163.184.959.368,34
INDICE DE CORREÇÃO: IGP-DI
FONTE: MINISTÉRIO DA FAZENDA – SECRETARIA DO TESOURO NACIONAL – ORÇAMENTO FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL – DESPESA POR GRUPO 1980/janeiro 2011

Leia a matéria referida no artigo acima:  A inflação e a dívida pública

Fonte: http://mobilizacaobr.ning.com/profiles/blog/show?id=3496405%3ABlogPost%3A141739&xgs=1&xg_source=msg_share_post 

Fonte: Desenvolvimentistas

 

 

Sobre midiacrucis

Rompendo o apartheid-midiático. Buscando informações que o PIG omite, distorce, oculta...desinforma.
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s