Continua crescendo vertiginosamente a tensão entre o Irã e as potências ocidentais. Ascensão proporcional ao subimento da hipocrisia política das grandes potências e da própria ONU.
Não é o Irã um exemplo de liberdade religiosa. Não é o Irã um exemplo de democracia modelo ocidental. Não é o Irã um exemplo de pacifismo. E qualquer país detentor de armamento atômico é uma temeridade para o mundo.
Mas não é o Irã a única nação a tentar dominar a tecnologia nuclear. Nem é o Irã a mais obtusa das teocracias, muito menos o mais belicoso dos países do Oriente Médio. Com todas as suas atenções voltadas para Teerã, a ONU e as nações ocidentais fazem-se surdas, mudas e cegas frente ao armamento atômico israelense.
Essas mesmas nações, e a mesma ONU, e mais os intrépidos cardumes de ongues, sempre firmes na indignação e revolta contra os excessos iranianos na aplicação da sharia (sistema legal baseado nas tradicionais interpretações do Corão) silenciam frente à aplicação dos mesmos arcaísmos legais (como a lapidação) em países como Afeganistão e Arábia Saudita.
Por falar em Arábia Saudita, enquanto a foi salva a vida da iraniana Sakineh, sob justo regozijo dos defensores dos Direitos Humanos, a saudita Amina Nasser foi decapitada em dezembro de 2011 sob acusação de “bruxaria”. E foi a segunda pessoa a ser oficialmente executada na Arábia Saudita por “feitiçaria” no ano passado (a outra vítima foi um homem, executado em setembro). Mas quem se importou com isso?
O objetivo real do cerco ao Irã, tão antigo quanto a descoberta do petróleo na antiga Pérsia, é esmagar a teimosia dos iranianos em tomar conta de sua vida, aí incluso o usufruto das benesses do velho e cobiçado óleo de pedra. Esta mesma hipocrisia de hoje é usada desde muito antes de ontem. Mais de um golpe de força já foi levado a efeito contra Teerã. E, ressalte-se, deram certo nos primeiros momentos, como a ditadura fashion de Reza Pahlevi, o segundo e derradeiro Xá do Irã. Depois o troco veio pesado sob a batuta dos xiitas.
O fundamentalismo, o armamentismo (especialmente o nuclear) e outros barbarismos contemporâneos merecem todo combate. Mas essa luta em prol da civilidade não pode ser usada, de forma tão hipócrita, em defesa de uma política mesquinha cujo único objetivo é a ampliar a dominação dos já muito poderosos sobre nações que essas potências classificam como rebeldes.
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Fonte: NavalBrasil.com

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