Brasil Nação – “Os desafios urgentes para conquistar a soberania na agroenergia”


A necessidade da criação da EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA (EBA), em mãos do Estado e baseada na pequena e média agricultura familiar

Há um profundo abismo entre as conquistas econômicas e sociais dos governos Lula e Dilma e a desnacionalização do setor do agrocombustível no pais. Posição inadmissível pra uma nação que busca se afirmar pela inclusão social e como potência econômica e política nos cenários da América Latina e Internacional.

A produção de agrocombustível não pode ser analisada apenas como uma commodity a ser explorada economicamente pela iniciativa privada, pois trata-se de um produto estratégico, um produto energético, ao nível de importância de outros produtos como o petróleo, o carvão mineral, a energia elétrica, a energia nuclear em disputas militares no mundo.

Recentemente, a Presidenta Dilma, diante do absurdo do desabastecimento de álcool, decretou que o álcool fosse considerado um produto estratégico e não mais um simples produto agrícola, ficando a cargo da ANP coordenar o setor. Desta forma, sinalizou a necessidade de se construir uma estratégia para assegurar o controle estatal na área de produção de agroenergia. Da produção de álcool combustível, a Petrobrás participa apenas com 5% do mercado.

A crise econômica de 2008 não teve um efeito desastroso para a economia geral do país como se alardeou mas provocou uma crise artificial no setor sucroalcooleiro, orquestrada por transnacionais que passaram a comprar as usinas do setor, num cenário de aprofundamento da concentração da economia mundial, nas mãos de poucas empresas. Para se ter uma idéia, os maiores Bancos do mundo como o Bank of America, JP Morgan Chase, Citygroup e Wells Fargo são vinculados a petroleiras Exxon Mobil, Royal Dutch/Shell, BP Chevron Texaco que estão adquirindo usinas de álcool e açúcar no Brasil recentemente. A Shell passou a controlar um dos maiores conglomerados sucro-alcooleiros, a Cosan, numa clara ação de desnacionalização do setor.

O crescimento econômico do Brasil e a inclusão de milhares de pessoas a melhores condições de vida não pode levar o governo da Presidenta Dilma a se desprover de uma concepção de defesa da soberania nacional dos setores estratégicos. Desta forma, reiteramos a proposta da criação da Empresa Brasileira de Agroenergia (EBA) que teria a função de coordenar o setor sob controle do estado brasileiro, papel que não está sendo cumprido pela “Petrobrás Biocombustível”. A grande mídia seguramente vai alardear, pois está a serviço das transnacionais, mas este é o único caminho para assegurar um desenvolvimento baseado em fundamentos econômicos sólidos.

Os movimentos dos agricultores familiares do campo e os partidos de esquerda em geral foram tímidos na defesa do setor e na defesa de um modelo que incorporasse a agricultura familiar na produção da agroenergia, através da construção de micro-destilarias. É preciso retomar este debate, com urgência. Atualmente, cinco empresas produzem 50% do etanol no Brasil: a anglo-holandesa Raizen (Shell/Cosan), a francesa Louis Dreyfus, a norte-americana Bunge, a francesa Tereos e a ETH, do grupo Odebrecht. Além disso, tem a norte-americana Adecoagro, de George Soros; a CNAA, comprada pela pretroleira inglesa British Petroleum; a Equipav e Vale do Ivaí, adquiridas pela indiana Shree; a Rio Vermelho, empalmada pela suíça Glencore. Ou seja, a desnacionalização da economia é a causa para o aumento do preço do etanol. Por isso, se faz necessário o aumento da participação do Estado, para que tenhamos soberania neste setor.  Depois que as transnacionais controlarem a produção do álcool combustível, irão abrir os seus mercados no exterior, nos impor preços e condições de venda, como já acontece com os preços, a comercialização e exportação das commodities de grãos, dos fertilizantes, de máquinas e equipamentos agrícolas.

Diante da crise dos países hegemônicos, o governo Dilma conta com uma correlação de forças ímpar para assegurar o controle estatal sob um dos mais importantes setores da economia brasileira e mundial. Não há que deixar passar o tempo e a oportunidade antes que nos tornemos irreversivelmente uma colônia.

Fonte: Revolução Socialista J.. Posadas

Video: Documentário “o Veneno está na Mesa’ de Silvio Tendler

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